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Preso desde 2011, médico que colaborou com a morte de Bin Laden será julgado

Shakil Afridi é considerado um traidor do país, mas pressões dos EUA buscam anular sua sentença, ainda sem julgamento público

André Nogueira Publicado em 09/10/2019, às 11h28

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- Divulgação

Um médico paquistanês que colaborou com os EUA na captura do líder jihadista Osama Bin Laden está apelando contra uma sentença de prisão ao qual foi submetido.

É a primeira vez que Dr. Shakil Afridi está sendo julgado em audiência pública, por sua ajuda na violação da soberania paquistanesa. Ele rebate, alegando que foi privado de passar por um julgamento justo.

Sua prisão possui a anormalidade jurídica de nunca ter formalmente partido de um processo legal por sua participação na prisão de Bin Laden, causando um atrito com o governo dos EUA, que partiu em sua defesa. Considerado um herói na América, ele é visto como um traidor no Paquistão, que ainda é nação aliada dos EUA.

Além de acusado por traição, Afridi também é considerado culpado por financiar e colaborar com o antigo grupo Lashkar-e-Islam, sendo condenado à 33 anos de prisão. Seus advogados e a família negam vínculo do médico com a associação tribal.

Dr. Afridi nega que tenha passado por um julgamento justo / Crédito: Divulgação

 

À Fox News, Afridi alegou ter sido sequestrado e torturado pela Inteligência do Paquistão. Até agora, o processo legal ocorreu sob os Regulamentos de Crimes de Fronteira, de tempos coloniais em que os britânicos governavam as áreas tribais na fronteira com o Afeganistão.

Essa foi uma maneira de lidar com o caso do médico fora dos olhos da sociedade. No entanto, com a anulação dos regulamentos, pela anexação da área a uma província oficial do país ocorrida ano passado, o julgamento passou para os tribunais regulares.