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Soldado russo revela querer atirar na própria perna em ligação interceptada

Diálogo do militar com sua mãe expõe os limites do ser humano em uma guerra

Ingredi Brunato, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 19/03/2022, às 08h21

Fotografia meramente ilustrativa de soldado
Fotografia meramente ilustrativa de soldado - Divulgação/ Pixabay/ ArmyAmber

O NEXTA, um canal televisivo da Bielorússia, divulgou na última quinta-feira, 17, uma ligação interceptada pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) que ocorre entre um soldado russo e sua mãe.

Durante o diálogo, o militar não apenas descreve o estado desolado de seu batalhão, mas também revela o desejo de atirar em si mesmo com munição ucraniana, de forma a simular um ferimento de guerra e ser enviado de volta à Rússia. 

"Nós temos 120 feridos e 350 mortos. Nossa brigada não está mais pronta para o combate. Se você é atacado agora, nós seremos destruídos, é isso. Nós não temos mais tanques, não sobrou mais nada. Ucranianos explodiram tudo com morteiros”, relatou o homem, conforme repercutido pelo UOL. 

A mãe do combatente deseja que ele volte para casa, porém a punição para quem se recusa a servir no exército russo seria de 8 anos de prisão, de forma que a deserção é fortemente desencorajada. 

Você sabe o que nós realmente queremos fazer? Eu vou te falar isso em confidência: nós queremos atirar um ao outro nas pernas com as balas 7.62 mm da Ucrânia e retornar ao hospital em Budenovsk [no sul da Rússia], assim como os meninos fizeram", diz o sujeito.

"Nós queríamos apenas atirar contra as nossas próprias pernas assim eles poderiam colocar bandagem na gente e enviar para o hospital. Espero que Deus permita-me viver para fazer isso", conclui o militar.