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Suspeito de criar app que 'leiloava' mulheres é preso na Índia

O homem de 25 anos é considerado um dos criadores do Sulli Deals, que chegou a "anunciar" cerca de 80 muçulmanas

Pamela Malva Publicado em 10/01/2022, às 16h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Divulgação/ Pixabay/ Pexels

Na última semana, um aplicativo indiano que ‘leiloava’ mulheres muçulmanas foi retirado do ar por suas atividades ofensivas. Pouco tempo depois, então, a Índia prendeu um homem suspeito de criar a plataforma, segundo narrou a BBC, nesta segunda-feira, 10.

Aumkareshwar Thakur, de 25 anos, foi detido pelos oficiais indianos depois que o suposto criador de outro aplicativo o citou em seu interrogatório. Segundo KPS Malhotra, vice-comissário da equipe de crimes cibernéticos da Polícia de Delhi, os dispositivos eletrônicos de Thakur também foram apreendidos e, agora, estão sendo analisados.

Hospedada na plataforma GitHub, em julho de 2021, a polêmica plataforma chamava-se Sulli Deals — de acordo com a BBC, a gíria "sulli" aplicada no nome, inclusive, é usada de forma pejorativa por hindus de direita para classificar mulheres muçulmanas.

No aplicativo, fotos de mais de 80 jovens eram usadas como forma de anúncio e, por mais que nenhuma venda tenha sido de fato realizada, o objetivo da plataforma era desmoralizar e humilhar as jovens muçulmanas, ainda segundo a BBC Marathi.

Isso porque grande parte das mulheres “colocadas à venda” no aplicativo eram muçulmanas com grande representatividade na mídia — como jornalistas, ativistas, artistas e pesquisadoras — o que corrobora ainda mais para a teoria de que, na realidade, os criadores da plataforma tinham o objetivo de atacá-las moralmente.

Assim como o Sulli Deals, outro aplicativo, o Bulli Bai, também foi retirado do ar. Em seguida, quatro suspeitos de manterem a plataforma foram detidos pela polícia, incluindo Neeraj Bishnoi, o suposto criador do app, que teria revelado o nome de Thakur.