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Suspeitos são humilhados publicamente pela polícia chinesa

Ato gerou reações contrárias tanto nas redes sociais, quanto na mídia estatal local. Entenda!

Fabio Previdelli Publicado em 03/01/2022, às 19h00

Suspeitos sofrendo humilhação pública de policiais
Suspeitos sofrendo humilhação pública de policiais - Divulgação/ Zhengguan News

No último dia 28 de dezembro, um polêmico ato marcou a polícia de Jingxi, na província chinesa de Guangxi, no sul do país. O episódio gerou reações contrárias nas redes sociais da nação asiática e também na mídia estatal local.

Acontece que, conforme flagrado por câmeras, autoridades foram registradas desfilando pelas ruas com quatro suspeitos de traficar pessoas através da fronteira do país, que estão sob severas restrições em virtude da pandemia. O desfile com os acusados serviu como uma espécie de humilhação pública pelo ato que teriam cometido.

As vítimas, que usavam trajes de proteção e tinham os rostos cobertos, foram exibidas pelas ruas da cidade. Cada uma tinha pendurado em seu pescoço cartazes com seus nomes e fotos.

Conforme repercutiu a BBC, o jornal estatal Beijing News repudiou o ato, afirmando que “a medida viola gravemente o espírito do Estado de Direito e não pode ser permitida que aconteça novamente”.

Já o Guangxi Daily, também controlado pelo governo chinês, apoiou a ação das autoridades, dizendo que elas servem para disciplinar e reduzir os crimes, além de encorajar a adesão às medidas de prevenção e controle do novo coronavírus. 

O assunto também tomou conta do Weibo, uma rede social chinesa. Nela, diversos usuários foram complacentes com os atos, enquanto outros internautas recordaram que a tática remete às humilhações públicas que eram comuns no país há anos. 

O que é mais assustador do que desfilar na rua são os muitos comentários que apoiam essa abordagem", disse um usuário.

Como aponta a BBC, foi apenas em 2007 que um decreto pôs fim ao desfile de prisioneiros que haviam sido condenados à pena de morte no país. A prática também era comum durante a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, entre as décadas de 1960 e 1970.