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Talibã diz que haverá consequências se tropas americanas não saírem do Afeganistão

A ameaça acontece depois do presidente Biden afirmar que os militares poderão ficar mais tempo

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 23/08/2021, às 09h55

Operação em 2010
Operação em 2010 - Getty Images

O Talibã ameaçou tomar uma atitude se os Estados Unidos e o Reino Unido prorrogarem a permanência de suas tropas para concluir a operação no Afeganistão.

A reação acontece uns dias após o presidente dos Estados Unidos Joe Biden declarar que os militares podem permanecer além de 31 de agosto para retirar os cidadãos americanos e refugiados, segundo o portal de notícias UOL.

“Haverá consequências se os EUA ou o Reino Unido tentarem ganhar tempo para continuar as evacuações do Afeganistão, declarou um dos porta-vozes do Talibã, Suhail Shaheen à emissora britânica Sky News. “O dia 31 [de agosto] foi uma linha vermelha”, finalizou.

Segundo Shaheen, o presidente Biden havia afirmado que as tropas americanas estariam fora do território até essa data e não cumprir com isso significa que a ocupação do Afeganistão ainda existe.

"O presidente Biden anunciou que em 31 de agosto terá retirado todas as tropas americanas. Então se estenderem o limite significa que estarão prorrogando a ocupação", disse. O porta-voz do Talibã ainda acrescentou que isso representaria uma "quebra de confiança" e provocaria uma "reação".

Questionado sobre o assunto, ontem, domingo, 22, Biden afirmou que não há expectativa de estender o prazo de 31 de agosto, mas o plano será reavaliado com o andamento da operação.

"O Talibã tem que fazer uma decisão: vai cuidar do bem-estar do povo do Afeganistão? Se quiserem, vão precisar de legitimidade e ajuda. Até agora, o Talibã não atacou forças americanas. Então, estão fazendo o que falaram que iam fazer. Vamos ver se o que eles dizem é verdade", acrescentou.

Além disso, o presidente norte-americano também disse que não seria possível retirar os cidadãos americanos e aliados de Cabul sem a situação caótica no aeroporto, única rota livre para sair do país.

"A evacuação seria muito difícil e dolorosa, não importa quando começasse. Não há forma de evacuar tantas pessoas sem as imagens que estamos vendo nas TVs. É um fato e meu coração sofre por essas pessoas", lamentou em entrevista a jornalistas na Casa Branca.

Convocada para amanhã pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, a reunião virtual dos líderes do G7, grupo formado por Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Estados Unidos, deve discutir o prazo para retirada das tropas de ocupação.

Segundo comunicado, o governo britânico defenderá ante os Estados Unidos que se prolongue as operações de retirada no aeroporto de Cabul, que está sob controle dos militares norte-americanos.

"Se é possível convencer os Estados Unidos a ficarem, ou não, é uma questão que caberá ao primeiro-ministro [Boris Johnson] amanhã na reunião do G7", afirmou o secretário de Estado das Forças Armadas, James Heappey, em entrevista ao canal Sky News. “Os talibãs terão que escolher: podem tentar se comprometer com a comunidade internacional e mostrar que querem fazer parte do sistema internacional", declarou, "ou podem dar a volta e dizer que não há oportunidade para uma prorrogação".