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Talibã pede pela liberdade de 7 mil insurgentes em troca de cessar-fogo temporário, afirma negociador

Segundo Nader Nadery, do governo afegão, a trégua duraria três meses, mas tal oferta foi contestada por um porta-voz dos talibãs

Pamela Malva Publicado em 15/07/2021, às 15h00

Fotografia de soldado na fronteira do Afeganistão, em 2006
Fotografia de soldado na fronteira do Afeganistão, em 2006 - Getty Images

Em mais um capítulo dos conflitos na fronteira do Afeganistão, os talibãs ofereceram um cessar-fogo de três meses em troca da liberdade de 7 mil insurgentes presos pelo país. Acontece que, apesar de confirmada pelo negociador Nader Nadery, a informação foi colocada em xeque por um porta-voz dos talibãs.

De acordo com a AFP, o anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15, pelo próprio Nadery, que é membro da equipe do governo afegão e atualmente negocia com os islamitas. Segundo explicou o negociador à imprensa, a oferta traz "uma exigência considerável".

Nadery ainda pontuou que, além da libertação dos insurgentes, os talibãs ainda exigiram que nomes de líderes do movimento fossem retirados de uma lista negativa da ONU. Questionado pela AFP, contudo, o porta-voz do Talibã afirmou não ter "conhecimento de quaisquer planos para um cessar-fogo de três meses".

Ainda assim, o representante dos talibãs disse que, "durante o Eid [al-Adha, que dura três dias a partir de 20 de julho], os líderes [do Talibã] podem considerar um cessar-fogo". Nadery, por sua vez, não definiu quais foram as ações tomadas após a oferta.

Citando, inclusive, a libertação de 5 mil talibãs no ano passado, o negociador classificou o antigo pedido como "uma exigência difícil" que, na época, não teria surtido o efeito prometido. “A violência não cessou e, pelo contrário, aumentou", lamentou Nadery.

Apoiadores do Talibã no Paquistão, em 2001 / Crédito: Getty Images

 

O cenário nas fronteiras do Paquistão

Em abril, Joe Biden afirmou que iria retirar as tropas norte-americanas do território do Afeganistão até agosto deste ano. Logo nas primeiras semanas de maio, então, soldados dos Estados Unidos recuaram e atenderam ao plano do presidente.

Com isso, tropas do Talibã encontraram uma porta aberta para algumas das maiores cidades do Afeganistão. Foi assim que muitas regiões importantes do território acabaram tomadas pelos islamitas, enquanto as forças afegãs, que oferecem pouca resistência, controlam apenas as capitais provinciais e as principais estradas do país.

Por enquanto, os insurgentes já dominaram alguns dos principais postos de fronteira do Afeganistão com o Irã, o Tadjiquistão, o Turcomenistão e o Paquistão. Isso sem contar as patrulhas talibãs na cidade de Spin Boldak, tomada nesta quarta-feira, 14.

Imagem meramente ilustrativa de tropas norte-americanas no Afeganistão / Crédito: Getty Images

 

As pessoas na fronteira

Enquanto as muitas tropas buscam conquistar a dominância das fronteiras afegãs, milhares de pessoas esperam pela chance de entrar no território. Segundo um oficial do posto de Chaman, “uma multidão incontrolável de cerca de 400 pessoas já tentou cruzar [a fronteira do Paquistão com o Afeganistão] à força”.

Outras 1,5 mil pessoas também aguardam no lado paquistanês da fronteira para conseguir passar para o lado afegão, ainda de acordo com o oficial, que pediu para não ser identificado. Segundo Jumadad Khan, autoridade do governo afegão em Chaman, contudo, a atual situação nas fronteiras já está "sob controle".

Ainda assim, em entrevista à AFP, uma fonte talibã afirmou que cerca de 100 pessoas esperam, no lado afegão da fronteira, pela chance de entrar no Paquistão. "Estamos discutindo com as autoridades paquistanesas. Uma reunião formal está marcada para a quinta-feira e esperamos que seja aberta em um ou dois dias", narrou o porta-voz.