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"Tem que indiciar todo mundo”, diz pai de Henry sobre avó e cuidadora do menino

Em entrevista ao UOL, Leniel Borel informou que entrará com medidas para que isso aconteça. “Estão achando que vão levar a vida normal e eu vou ficar aqui todos os dias chorando?”

Fabio Previdelli Publicado em 06/05/2021, às 10h59

Em igreja, Leniel abraça o filho (rosto borrado) Henry
Em igreja, Leniel abraça o filho (rosto borrado) Henry - Divulgação/Leniel Borel

Em entrevista ao UOL, divulgada na manhã de hoje, 6, Leniel Borel, pai do menino Henry, disse que cobrará a Justiça para que a avó e a babá do garoto — que foi morto enquanto estava na casa de sua mãe, Monique — também sejam indiciadas pela morte do menino 

"Para mim, a avó não proteger o único neto, a babá não falar nada. Sentimento de que a justiça está sendo feita, mas ainda estou no aguardo para ver se vai indiciar a babá, tem que indiciar todo mundo”, disse Leniel dias depois da Polícia Civil do Rio de Janeiro concluir o inquérito sobre o caso.  

Como informou a equipe do site do Aventuras na História, as autoridades indiciaram Monique e seu marido, o vereador Dr. Jairinho, que é padrasto do menino, por homicídio duplamente qualificado, como agravamento de tortura e recursos que dificultaram que o garoto se defendesse. Henry completaria cinco anos essa semana se estivesse vivo. 

Para Leniel, houve omissão tanto na postura de Thayna de Oliveira Ferreira, cuidadora do garoto, quanto em Rosângela Medeiros da Costa e Silva, mãe de Monique Medeiros e avó de Henry. Sem dar detalhes, ele disse que adotará medidas legais para que ambas sejam indiciadas. 

"Ela [avó materna] sabia que meu filho estava sendo agredido. Disse que nada acontecia e meu filho falando na cara dela que o 'tio Jairinho machucava'. É revoltante. Uma mentirosa. Pra salvar a filha dela, mentiu. Mas e o neto dela? E o meu filho?", questionou o pai do garoto. "Se ela [avó materna] não for [indiciada], eu vou botar meus advogados para irem atrás. Estão achando que vão levar a vida normal e eu vou ficar aqui todos os dias chorando?". 

Já sobre Thayna, ele a criticou dizendo que ela jamais o procurou para falar sobre as agressões sofridas por seu filho. "Eu não contratei a Thayna, quem contratou foi a Monique, mas ela tinha meu telefone. O celular do meu filho estava disponível o tempo todo. Ela podia me ligar, só que não me ligou. Agora, depois do que aconteceu, ela diz: 'Poxa, eu sabia e falei pra Monique'. Por que não falou pra mim?". 

Após a morte de seu filho, Leniel disse que recebe inúmeras ligações todos os dias relatando episódios de crianças sendo agredidas por todo o Brasil. "Não tem que parar só no Jairo e na Monique. O Brasil tem que parar com isso, de sentimento de impunidade. O Jairo só fez o que fez por achar que era impune, a Monique —com ele falando para ela que é influente— se sentiu impune”. 

"Se não tem lei para avó que é omissa, para babá que é omissa, então vamos criar. Vamos fazer alguma coisa”, completou. A entrevista completa pode ser lida no site do UOL