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“The Terror”: Série da AMC retrata os insólitos campos de concentração estadunidenses

Em nova temporada, a série mistura realidade e ficção ao reproduzir o horror vivido por nipo-americanos após o ataque à base de Pearl Harbor

Isabela Barreiros Publicado em 12/08/2019, às 18h00

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Crédito: Reprodução

O ataque surpresa dos japoneses à base de Pearl Harbor em 1941 é uma história muito conhecida e contada pelos americanos quando se fala sobre a Segunda Guerra Mundial. O que acontece depois, no entanto, não é tão difundido assim.

Em um dos mais infames episódios da história dos Estados Unidos, imigrantes japoneses e americanos de descendência nipônica foram aprisionados em campos de concentração na Califórnia, costa Oeste do país. De acordo com o governo, todos eles eram considerados espiões.

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A segunda temporada da série The Terror, agora com o subtítulo Infamy (infâmia), transmitida pelo canal AMC, será lançada hoje, 12, às 22h30. Ela retoma esse acontecimento e conta a história da comunidade de 3 mil japoneses que foi retirada de suas casas e colocada nesses agrupamentos.

Ao misturar fatos históricos e acontecimentos sobrenaturais, a narrativa adiciona ao evento um antigo espírito que causa mortes misteriosas entre os detidos. Isso é muito comum em contos do gênero kaidan — histórias de terror japonesas que normalmente envolvem fantasmas ou situações misteriosas.

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“Ninguém queria contar essa história, mas é importante nos lembrarmos dela, porque está acontecendo novamente. O nome é diferente, mas não estamos num momento inédito”, afirma o roteirista Alexander Woo.

Ele se refere ao atual cenário de imigração ilegal nos Estados Unidos. Pessoas sendo encarceradas em dezenas de centros de detenção de imigrantes — ou melhor, prisões — espalhadas pelo país, vivendo sobre condições miseráveis e, muitas vezes, separadas de seus filhos.

Segundo o ator George Takei, o seriado arrisca e faz escolhas que seriam consideradas muito difíceis dez anos atrás, como o uso de legendas em japonês e espanhol quando os personagens falam nesse idioma. “Aspectos que eram considerados um risco, como um elenco quase todo japonês, não são mais. Anos atrás, haveria um herói branco salvando todos no fim.”