Notícias » Arqueologia

'Tesouro' encontrado na Polônia pode ter sido usado para subornar vikings, indica estudo

Moedas de prata descobertas tem origem num império muito distante do local onde estavam enterradas

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 20/07/2021, às 14h26

Fotografia mostrando moedas encontradas
Fotografia mostrando moedas encontradas - Divulgação / Museu de Ostróda

No último mês, pesquisadores do Museu de Ostróda, na Polônia, estudaram um total de 118 moedas de prata identificadas como pertencentes ao Império Carolíngio, que ocupou a porção da Europa onde hoje está localizada a França. A descoberta foi divulgada pelo portal Live Science. 

O tesouro medieval, que é datado de 1.200 anos e começou a ser descoberto em 2020, com o auxílio de um detector de metais, empolgou arqueólogos.

Isso porque uma grande quantidade de moedas carolíngias nunca havia sido encontrada na Polônia antes - o que faz sentido, uma vez que o país fica bem distante do território governado pela poderosa dinastia, cujo principal nome foi Carlos Magno, também conhecido como Carlos, o Grande. 

Fotografia mostrando moeda carolíngia encontrada no local / Crédito: Divulgação/ Museu de Ostróda

 

Ainda mais peculiar que o achado, contudo, foi a história que estaria por trás dele, segundo indicado pelos especialistas. A teoria elaborada foi de que as relíquias teriam sido enviadas por um governante da dinastia carolíngia para impedir que vikings da antiga cidade de Truso saqueassem a capital do império. 

Vale mencionar que, embora os artefatos não tenham sido desenterrados exatamente no local onde a cidade ficava,  eles foram encontrados em uma região próxima, assim permitindo a especulação de que as moedas achadas seriam uma fração desse suborno enviado por um rei carolíngio. 

“[O rei] Carlos, o Calvo, supostamente pagou aos invasores 7.000 libras, ou mais de 5 toneladas de prata e ouro, para impedi-los de saquear a cidade, e é possível que algumas das moedas encontradas perto de Biskupiec fizessem parte desse resgate”, comentou Mateusz Bogucki, arqueólogo e especialista em moedas antigas, também conforme o Live Science.

Mateusz alertou, todavia, que se trata apenas de uma hipótese inicial, que pode ou não se confirmar. Outro detalhe descoberto pelos especialistas que analisaram as moedas foi que 117 delas haviam sido cunhadas entre 814 d.C até 840 d.C, período em que o Império Carolíngio esteve sob o reinado de Luís, o Piedoso.  Apenas um dos artefatos havia sido cunhado depois disso, quando quem estava no poder era Carlos, filho do primeiro.