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Tortura de mulheres e crianças: Os horrores de Hermine Braunsteiner nos campos de concentração

A guarda nazista cometeu atrocidades e se tornou a primeira criminosa de guerra a ser extraditada dos Estados Unidos

Penélope Coelho Publicado em 21/07/2020, às 12h20

Fotografia de Hermine Braunsteiner
Fotografia de Hermine Braunsteiner - Wikimedia Commons

Hermine Braunsteiner Ryan cometeu inúmeros horrorres durante os anos da Segunda Guerra Mundial (1939 -1945) em campos de concentração nazistas. A mulher ficou conhecida pelos prisioneiros por sua crueldade e era chamada pelo apelido de Stomping Mare ("Egua que pisoteia", em tradução literal para o português).

No auge de sua maldade, a guarda da SS matou principalmente mulheres e crianças a sangue frio, muitas vezes, deixou suas vítimas sem ar pisando em seus pescoços com a sua pesada bota.

Início da Guerra

Nascida 16 de janeiro de 1919, em Viena, na Áustria, Hermine veio de família da classe trabalhadora. Ela tinha o desejo de se tornar enfermeira, contudo, não tinha condições para tal, por isso, trabalhou por muitos anos como empregada doméstica.

Em 1938, a mulher se mudou para Berlim e tornou-se oficialmente uma cidadã alemã — após a anexação político-militar da Áustria por parte da Alemanha. Nesse período, Braunsteiner trabalhava em uma fábrica de aviões.

Depois de uma sugestão de seu novo patrão — um policial alemão — para que a mulher se candidatasse a uma vaga para supervisionar prisioneiros de guerra, Hermine decidiu iniciar seus treinamentos para se tornar oficialmente uma guarda feminina nazista.

Desde o início da Primeira Guerra Mundial, ela esteve presente no campo de concentração de Ravensbrück, próximo a Berlim, porém, não se deu muito bem com seus supervisores e foi transferida em 1942 para o campo alemão na Polônia ocupada pelos nazistas, de Majdanek. 

Crueldade

Em Majdanek, a guarda desempenhou diversos papéis sanguinários. Inicialmente, ela selecionava as crianças e mulheres que seriam enviadas para as câmeras de gás. Segundo relatos, Hermine costumava agarrar crianças pelos cabelos para jogá-las em caminhões que tinham como destino as temidas câmaras de gás.

Além disso, sobreviventes relataram que Hermine espancou muitas mulheres até a morte. Nos campos alemães, Braunsteiner, chamava a atenção das prisioneiras por sua fúria e personalidade descrita como selvagem — causando muito medo em suas vítimas. Sabe-se que depois de bater nas mulheres, a nazista usava suas botas para sufocá-las, terminando friamente com a vida das prisioneiras.

Foto aérea do campo de concentração de Majdanek / Crédito: Wikimedia Commons

 

Não demorou muito para que a guarda se tornasse supervisora do local e abusasse de seu poder ferindo e matando mais mulheres após inúmeras chibatadas.

“Eu a vi administrar vinte e cinco chibatadas com um chicote de equitação para uma jovem russa suspeita de tentativa de sabotagem. Suas costas estavam cheias de marcas, mas eu não estava autorizado a tratá-la de imediato”, afirmou posteriormente uma médica francesa que atuou em Majdanek.

Nesse período, Ryan chegou a receber uma premiação por sua atuação nos campos nazistas alemães levando a medalha de mérito da Segunda Guerra, em 1943.

Pós Guerra

Com o fim do conflito, Braunsteiner fugiu de volta para Viena em 1945. No ano de 1946, a polícia austríaca apreendeu a mulher — que foi condenada por tortura, maus tratos e crimes contra a humanidade. Entretanto, ela foi liberada em 1950 e passou a viver uma vida comum. Chegou a se casar com um norte-americano chamado Russell Ryan — de quem herdou o sobrenome.

Mas, sua vida em liberdade não durou muito tempo. Em 1973, enquanto Hermine vivia nos Estados Unidos com o marido, às autoridades da Alemanha Ocidental solicitaram sua extradição, acusando a guarda nazista de responsabilidade conjunta pela morte de 200.000 mil pessoas.

Uma juíza norte-americana determinou sua extradição em 1º de maio de 1973. No dia 7 de agosto daquele mesmo ano, Braunsteiner tornou-se a primeira criminosa que atuou na Segunda Guerra a ser extraditada dos Estados Unidos para a Alemanha. A mulher foi condenada pela morte de 80 pessoas e por ter favorecido o assassinato de 102 crianças. Em 30 de junho de 1981, a ex-guarda foi sentenciada a prisão perpétua.

Contudo, devido a problemas de saúde relacionados à diabetes, Hermine teve que amputar uma perna. Em 1996 ela foi liberada da prisão feminina de Mülheimer, na Alemanha. A mulher faleceu três anos depois em 19 de abril de 1999, aos 79 anos.


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