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Torturador do Khmer vermelho conhecido como Douch, morre aos 77 anos

Kaing Guek Eay foi um dos torturadores mais sanguinários da ditadura do Camboja

Giovanna de Matteo Publicado em 02/09/2020, às 09h07

Registro fotográfico de Kaing Guek Eay
Registro fotográfico de Kaing Guek Eay - Wikimedia Commons

Morre nesta quarta feira, 2, Kaing Guek Eay, mais conhecido como Douch, aos 77 anos de idade em um hospital de Phnom Pehn, no Camboja. O homem foi um dos torturadores mais sanguinários da ditadura do Khemer Vermelho e liderou a prisão central da capital do país, onde cerca de 15 mil pessoas foram torturadas.

No dia 17 de abril de 1975, a guerrilha armada dos khmers vermelhos tomaram a capital do Camboja, expulsando os moradores para as áreas rurais, onde eram mantidos em prisões, campos de trabalho e reeducação e de execução. A ditadura foi erguida pelo líder ultra-maoísta Pol Pot, e o regime matou quase duas milhões de pessoas, consideradas inimigas e/ou aliadas aos Estados Unidos e ao mundo burguês, em menos de quatro anos.

Douch era chefe do centro de detenção de Phnom Pehn, onde dirigia a penitenciária e fez parte das torturas e execuções dos prisioneiros. Em 7 de janeiro de 1979, quando o exército socialista do Vietnã invadiu o país, dando fim a ditadura cambojana, Douch fugiu para as florestas asiáticas, onde ficou foragido durante décadas. Ele só foi preso em 1999, e foi o primeiro khmer a ser condenado por um tribunal de crimes de guerra do país, onde expôs os horrores dos seus atos como torturador nos tempos de chefia da prisão central.

Douch nasceu em uma família pobre de camponeses no ano de 1942 e se tornou professor de matemática, unindo-se ao clandestino Partido Comunista em 1968. Ele ficou preso por dois anos e após libertado, seguiu com seus pensamentos revolucionários, porém, em uma linha mais radical, se filiando à guerrilha do khmer vermelho. "Douche foi a encarnação mórbida da loucura assassina dos Khmers Vermelhos", publicou o jornal francês Le Monde, a respeito do torturador.

Para Younk Chang, chefe do Centro de Documentação do Camboja, departamento de pesquisa que investigou inúmero casos da guerra e ditadura, Douch "não se arrependeu de nada", e ainda, afirma que espera que a morte do torturador traga "um pouco de conforto aos vivos e aos mortos, que enfim poderão descansar em paz".