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Trabalhadores em condição análoga à escravidão são resgatados no MS

Sete homens trabalharam em uma fazenda durante meses tendo de caçar para sobreviver

Redação Publicado em 22/03/2022, às 14h45

Carne mantida em varal junto com roupas
Carne mantida em varal junto com roupas - Divulgação / MPT-MS

Um grupo de sete paraguaios foi encontrado em situação análoga à escravidão em uma fazenda de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, na última quarta-feira, 16. Eles foram resgatados após certa de oito meses tendo de tomar água vinda direto do poço e caçar animais para comer.

A operação foi realizada pelo Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) junto à Fiscalização do Trabalho e à Polícia Militar Ambiental (PMA), conforme informações do portal de notícias G1.

Segundo as autoridades, os homens trabalhavam de segunda a sábado como "cerqueiros", erguendo postes e cercas sem qualquer equipamento de proteção. Eles  viviam em um barraco de lona e tinham que caçar a própria comida, já que o proprietário da fazenda não lhes fornecia alimento.

Após o resgate, uma das vítimas revelou que o barraco já se encontrava erguido quando chegou para trabalhar na fazenda, em meados do ano passado, e que o mesmo foi designado como local de descanso dos trabalhadores.

Ele também declarou que o grupo realizava as necessidades fisiológicas no mato e tomava banho gelado, por meio de um balde improvisado.

De acordo com a fonte, os paraguaios recebiam pelas diárias trabalhadas, porém não possuíam registro e não recebiam férias, 13º salário, entre outros direitos assegurados por lei.

Em audiência administrativa, os representantes da propriedade foram instruídos acerca de todo o processo de contratação de mão de obra e de pagamentos.

Agora, o empregador deverá pagar todo o montante que deve aos trabalhadores e terá trinta dias para formalizar o vínculo empregatício.