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Transferência de esfinges para a Praça Tahrir revolta egiptólogos

Para o Ministro de Antiguidades do Egito, Khaled El-Enany, a exposição será apreciada por diversos turistas, mas acadêmicos vão contra a sua opinião

Nicoli Raveli Publicado em 07/05/2020, às 14h00

Esfinges no templo de Karnark, em Luxor
Esfinges no templo de Karnark, em Luxor - Divulgação

Recentemente, o transporte de quatro esfinges de arenito — que estavam no templo de Karnark, em Luxor — gerou grande divergência de opiniões. É que, para o Ministro de Antiguidades do Egito, Khaled El-Enany, o ideal seria que elas fossem expostas na Praça Tahrir, enquanto os egiptólogos e acadêmicos condenam esse ato, uma vez que apontam que as estátuas serão danificadas pela poluição do ar e pela alta temperatura.

"Quando vamos a capitais européias, como Roma ou Paris ou Londres, e também Washington, vemos que eles usam obeliscos egípcios na decoração de suas principais praças turísticas, então por que não fazemos o mesmo?”, alegou El-Enany ao jornal Al Ahram.

Segundo o ministro, o local — que já conta com um obelisco do período de Ramsés II e serviu como uma área de protesto contra o presidente Hosni Mubarak — é próprio para ser considerado uma grande parte da história egípcia e chamará a atenção dos turistas.

Rabab El Mahdi, professor associado de ciência política da Universidade, concorda com a afirmação sobre a história do local. "Ela cobre a memória recente que está viva na mente de muitas pessoas, com algo histórico que não tem conotações ou significado político”, afirmou.

Praça Tahrir, palco de diversos protestos / Crédito: Divulgação 

 

Todavia, o homem não foi a favor da mudança. "Basicamente, não há respeito pelos vivos que testemunharam essa revolução e a veem como parte da história contemporânea, nem respeito pelos mortos, incluindo as antiguidades".

Da mesma maneira, para a egiptóloga Monia Hanna, o futuro dessas esfinges está em perigo. "Nós nos opomos a isso por causa de preocupações com a segurança dos objetos na poluição da Praça Tahrir e [a ameaça] da integridade histórica do templo de Karnak", completou.

Ademais, o Centro Regional Árabe do Patrimônio Mundial também expressou seu pensamento negativo em relação à transferência. Para o instituto, remover as esfinges do templo de Karnark contradizia com todos os esforços para a preservação de um patrimônio histórico.