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Trauma causado por violenta colonização é passado de geração em geração entre aborígenes australianos, afirmam pesquisadores

A nova pesquisa alega que as cicatrizes causadas pelos conflitos nas fronteiras e pela desapropriação de terras ainda estão presentes no imaginário da população atual

Isabela Barreiros Publicado em 18/03/2020, às 14h49

Alguns dos artefatos da Polícia Monta de Queensland encontrados
Alguns dos artefatos da Polícia Monta de Queensland encontrados - Divulgação/Universidade Flinders

Um novo estudo, publicado no periódico acadêmico Journal of Genocide Research, investiga mais à fundo as consequências psicológicas da violenta colonização ocorrida na Austrália. De acordo com os pesquisadores, as mazelas causadas pela brutalidade das guerras de fronteira e a desapropriação de terra feita pelos colonos são intergeracionais, ou seja, passaram de geração em geração.

Um caso muito particular foi analisado no artigo. Na Austrália Colonial, centenas de homens aborígenes foram obrigados a se tornarem policiais montados em Queensland, estado ao nordeste do país. À serviço dos colonos brancos, eles praticavam ações violentas nas fronteiras no intuito de manter a lei e ordem dominante.

A partir dessa perspectiva, foi possível perceber que as cicatrizes de tais conflitos permanecem ligadas a essas populações até os dias de hoje, ainda que de maneira diferente. "Apesar das guerras nas fronteiras australianas ocorrerem há mais de um século, seus impactos continuam a reverberar hoje de várias maneiras diferentes, muitas das quais ainda são apenas parcialmente compreendidas", afirma a professora da Universidade Flinders e principal autora do artigo, Heather Burke.

"Argumentamos que os massacres, a violência nas fronteiras, o deslocamento e a desapropriação final de terras e a destruição de práticas culturais tradicionais resultaram em trauma intergeracional individual e coletivo para os povos aborígines", conclui a pesquisadora.