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Tribunal inglês decide que chamar homem de ‘careca’ configura assédio sexual

Juízes compararam o caso com o assédio a uma mulher que ouviu falas sobre o tamanho de seus seios

Redação Publicado em 13/05/2022, às 09h38

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Imagem ilustrativa - Pixabay/romyrwood

Um tribunal da Inglaterra decidiu que chamar um homem de “careca” pode ser considerado como assédio sexual por lei, a partir de um processo trabalhista envolvendo aparência pessoal que aconteceu em Sheffield.

Segundo a ação, que foi reportada pelo jornal britânico The Telegraph, Tony Finn acusou seu ex-supervisor, 30 anos mais novo, de assédio sexual por tê-lo chamado de careca em julho de 2019. Uma no e meio depois, em maio de 2021, Finn foi demitido.

Os juízes usaram suas próprias experiências para comentarem sobre o resultado, cujo painel foi liderado por Jonathan Brain, que afirmou que destacar a calvície do outro poderia ser configurado como um insulto ou até mesmo assédio, comparável a situações vividas por mulheres.

A conclusão de um juiz trabalhista envolvido no processo foi a de que "a perda de cabelo é muito mais prevalente entre os homens do que entre as mulheres, então usá-lo para descrever alguém é uma forma de discriminação".

"Temos poucas dúvidas de que ser referido dessa maneira pejorativa era uma conduta indesejada no que dizia respeito ao senhor Finn”, argumentou Brain.

Na resolução, os juízes concluíram que "há uma conexão entre a palavra 'careca', por um lado, e a característica protegida do sexo, por outro'. Nós achamos que está inerentemente relacionado ao sexo", por ela ser mais comum aos homens.

A empresa argumentou que mulheres e homens podem ser carecas, o que invalidaria o argumento. Sobre isso, o tribunal comparou a situação com um caso de assédio sexual do ano anterior, em que uma mulher havia recebido um comentário sobre o tamanho de seus seios.

"É muito mais provável que uma pessoa que recebe um comentário como o que foi feito nesse caso seja uma mulher e que, da mesma forma, é muito mais provável que uma pessoa que recebe uma observação como a feita por King seja do sexo masculino”, disseram.

Segundo a publicação, repercutida pelo UOL, o homem foi demitido por má conduta depois de o caso ter sido relatado pelo filho policial dele ao jornal da Polícia de West Yorkshire, o que fez com que os donos da empresa pensarem que a situação estava sendo tratada como um crime.

Para o tribunal, a demissão foi injusta porque a companhia não esperou que a polícia respondesse sobre o envolvimento deles no incidente. Finn também já havia vencido processos por demissão injusta.