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Onde se fala “tu” e onde se fala “você” no Brasil? Por que a diferença?

Entenda a origem dos pronomes e como e por que o Brasil se divide entre eles

Maria Carolina Cristianini Publicado em 15/10/2018, às 10h00 - Atualizado às 17h50

O que “tu” e “você” dividem, o orelhão unifica
O que “tu” e “você” dividem, o orelhão unifica - Getty Images

Registros das formas de tratamento tu e vós, ambas com origem no latim, aparecem antes da língua portuguesa, no idioma galego-português, em textos do início do século 13. Na época, estas eram as duas únicas formas de se referir à segunda pessoa: tu, mais informal, usado dentro das famílias, e vós, mais respeitoso, como no tratamento dispensado à realeza.

Foi só por volta de 1500, depois da separação entre português e galego, que modificações começaram a aparecer em vós, como vossa graça, vossa excelência e vossa mercê.

Pelo uso mais frequente, vossa mercê se tornou alvo de mais modificações fonéticas e semânticas. Assim, percorreu os seguintes estágios: vossa mercê à vossemecê à vosmecê e à você.

Já no fim do século 17, você aparece nas conversas em família, abandonando a origem respeitosa – que fica por conta de expressões como vossa excelência ou senhor.

No Brasil, segundo o linguista Paul Teyssier, em História da Língua Portuguesa, “o vós desapareceu, mas o tu sobrevive apenas no extremo Sul e em áreas não suficientemente delimitadas do Norte”. Hipóteses para tal falam em afirmação de valores regionais – e, em Santa Catarina, da influência açoriana.

Sem qualquer variação desde sua origem, o tu vem do latim idêntico. É provável que tenha surgido no protoindo-europeu, falado há cerca de 5 mil anos, de onde também veio, entre outros idiomas, o sânscrito.

Basta conhecer o significado do famoso namastê para constatar semelhanças entre o latim e o sânscrito demonstradas pelo tu. O termo é formado pela junção de namah e te – namah quer dizer “inclinar a cabeça” ou “curvar-se” e te é um primo do latim tu.

Veja a seguir a divisão do Brasil, através da pesquisa do Atlas Linguístico do Brasil:

Marilia Filgueiras

Algumas curiosidades no Atlas: catarinenses e maranhenses empatam em segundo lugar uso do “tu”. Amostras analisadas em Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro indicam o uso apenas do “você”. E Porto Alegre ~e a capital que mais usa o “tu” a cada 10 pessoas, 6 preferem o pronome.