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Tubarão nascido após a 1ª Guerra morreu no mês passado por doença ‘inédita’

Em 13 de março, tubarão-da-Groenlândia foi encontrado encalhado na Cornualha. Embora espécie possa viver por 400 anos, animal morreu com apenas um século

Fabio Previdelli Publicado em 11/04/2022, às 15h17

tubarão-da-Groenlândia encontrado na Cornualha
tubarão-da-Groenlândia encontrado na Cornualha - Marine Stranding Network/APEX

No mês passado, um tubarão-da-Groenlândia, nome popular do Somniosus microcephalus, foi encontrado encalhado em uma praia da Cornualha, no Reino Unido. Segundo sua autópsia, porém, a espécie centenária morreu de uma causa inédita: meningite.

Acredita-se que esta seja a primeira evidência da enfermidade na espécie, embora os cientistas dizer ser cedo demais para vincular a doença ao fator humano, como a poluição do ambiente marinho. 

No último dia 13 de março, um tubarão fêmea de cerca de quatro metros de comprimento foi encontrado na região da praia de Penzance. Mas a espécie foi levada pelo mar antes que os pesquisadores pudessem examiná-la adequadamente. Pouco depois, a fêmea foi localizada flutuando no porto nas águas do porto de Newlyn. Assim, foi possível realizar uma autópsia no animal, a primeira do tipo feita no Reino Unido. 

Até então, sabe-se poucas informações sobre a espécie extremamente rara, a não ser que elas podem viver por até 400 anos e geralmente são encontrados 2,5 km abaixo da superfície dos oceanos Ártico e Atlântico Norte. Este tipo de tubarão é um dos vertebrados mais antigos da Terra e uma das criaturas mais misteriosas do planeta. 

Com o exame, os cientistas acreditam que a infecção cerebral explica o motivo do tubarão estar fora de seu habitat natural em águas profundas e, consequentemente, a causa de seu encalhe e sua eventual morte.

Segundo o Daily Mail, o cérebro do animal estava levemente "descolorido e congestionado" com um fluido turvo, que continha um tipo de bactéria chamada ‘Pasteurella’ — que os especialistas acreditam que provavelmente causou meningite.

Embora a fêmea tenha nascido pouco após a Primeira Guerra Mundial, ela ainda era considerada uma ‘juvenil’ pelos biólogos marinhos. Ela tinha danos nas barbatanas e lodo no estômago, sugerindo que poderia estar viva quando ficou presa.

A autópsia foi conduzida pela Equipe de Patologia Marinha da Cornualha, que faz parte do Programa de Investigação de Cetáceos (CSIP) da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL).

“O corpo do tubarão estava em más condições e havia sinais de hemorragia no tecido mole ao redor das barbatanas peitorais que, juntamente com o lodo encontrado em seu estômago, sugeriam que ela pode ter ficado encalhada”, explica o patologista veterinário James Barnett, da Equipe de Patologia Marinha da Cornualha.

Até onde sabemos, este é um dos primeiros exames post-mortem aqui no Reino Unido de um tubarão-da-Groenlândia e o primeiro relato de meningite nesta espécie”, aponta. 

“Este encalhe infeliz e extraordinário nos permitiu obter uma visão da vida e da morte de uma espécie sobre a qual sabemos pouco. Descobrir que este tubarão tinha meningite é provavelmente o primeiro registro do caso no mundo”, completou Rob Deaville, líder do CSIP.