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Tumbas de 5 mil anos sugerem a prática de incesto entre elite irlandesa

Novas pesquisas genéticas indicaram não apenas DNAs consanguíneos, como também revelaram o primeiro caso de uma condição genética singular

Pamela Malva Publicado em 17/06/2020, às 14h30

Entrada da tumba de Newgrange, na Irlanda
Entrada da tumba de Newgrange, na Irlanda - Divulgação

Geneticistas e arqueólogos do Trinity College, em Dublin, na Irlanda, uniram forças para analisar o material genético presente em diversas tumbas do período neolítico. A partir dos genomas, descobriram uma possível prática incestuosa entre os membros da elite irlandesa da época.

Datadas de 5 mil anos atrás, as tumbas analisadas continham DNAs de diversos indivíduos influentes da época. Um deles, um homem encontrado em Newgrange, apresentava evidencias de consanguinidade.

Segundo Lara Cassidy, geneticista e principal autora do estudo, as análises confirmaram que os pais do individuo “eram parentes de primeiro grau”. Para os cientistas, a nova pesquisa representa uma descoberta inesperada e sem quaisquer precedentes.

Publicado na revista Nature, o artigo dos especialistas ainda pontua que a prática do incesto era provavelmente utilizada para distinguir a elite do resto da sociedade. Assim, os membros ricos poderiam reforçar sua hierarquia e legitimar seu poder.

Além da consanguinidade incestuosa, a pesquisa ainda identificou genomas do primeiro caso já diagnosticado de Síndrome de Down da região. O DNA pertencia a um menino de Poulnabrone e foi encontrado na tumba mais antiga da ilha, datada de 5,5 mil anos atrás.