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Com dados desatualizados, Eduardo Bolsonaro defende a separação de gênero nas escolas

O parlamentar afirma que existem “argumentos pedagógicos e empíricos” para a medida, mas não citou quais

Fabio Previdelli Publicado em 12/12/2019, às 10h00

Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro - Getty Images

O deputado federal Eduardo Bolsonaro usou o twitter nesta quarta-feira, 12, para defender as escolas divididas em gênero, conhecidas na Europa como Single Sex Education. “Há forte pressão, principalmente das feministas, para que as escolas abriguem na mesma sala meninos e meninas, mesmo havendo bons argumentos pedagógicos e empíricos atuais recomendando o contrário”, declarou o parlamentar, sem citar as fontes de seu argumento.

Eduardo também afirma que “90% das 25 melhores escolas inglesas são ‘single sex’” e que o colégio São Bento “o mais antigo colégio brasileiro deste tipo [que só aceita garotos], foi o 4º no ENEM 2012”.

Tweet Eduardo Bolsonaro sobre escolas single sex / Crédito: Reprodução Twitter

 

Entretanto, a fala do parlamentar gerou controvérsias. Principalmente pelo fato do próprio ter estudado em dois colégios mistos no Ensino Fundamental: o Colégio Pallas e o Colégio Batista Brasileiro, ambos no Rio de Janeiro. A informação pode ser checada no site do Deputado.

E os dados apresentados? Fomos checar...

Colégio São Bento: Ao citar o desempenho do colégio São Bento, Eduardo usa dados do ENEM de 2012. Mas estatísticas mais recentes, de 2018, mostram que o desempenho do colégio caiu para a décima colocação.

Desempenho das escolas inglesas: Segundo ranking do portal Education Advisers, que desde 2004 faz consultoria especializada em educação privada, 5 das 10 melhores escolas independentes pré-universitárias são de educação mista, estando 4 delas entre as 5 melhores.  

Vale ressaltar que, segundo o The Economist, até a década de 1960 praticamente todas as crianças inglesas frequentavam escolas single sex. Porém, em 2019, esse número caiu para apenas 6%.

Mas como os britânicos enxergam essa separação?

Apesar da pratica separatória ser pouco debatida por aqui, o assunto já gerou discussões no Reino Unido. Uma matéria publicada esse ano pelo The Guardian debateu a decisão da Armidale School, instituição de mais de 120 anos, de implantar um método de ensino misto — antes a escola acolhia somente pessoas do gênero masculino.

Murray Guest, diretor da escola, afirmou que “não há dúvida de que foi uma boa mudança. O ambiente social na escola é melhor agora do que era antes”.

Um dos principais pontos levantados é que colégios exclusivos para meninos podem se tornar um ambiente hipermasculinizado e misógino.

Chris Hickey, professor de saúde e educação física da Universidade Deakin, corrobora com a afirmação. "A história nos diz que há uma propensão ao florescimento dessas culturas se as mesmas não forem controladas", explica. “Mas essas culturas não são um dado incontestável. E também não são específicos para escolas de meninos. Isso pode acontecer em qualquer lugar, mas há uma maior propensão quando você tem meninos em massa que são deixados sem controle”.