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Um dos apenas três artefatos já descobertos na Grande Pirâmide é identificado na Escócia

Encontrado em 1872, o fragmento de madeira estava desaparecido há décadas; agora, com a sua análise, pesquisadores descobriram que a Pirâmide de Quéops pode ser mais antiga que se imaginava

Isabela Barreiros Publicado em 16/12/2020, às 13h37

A caixa de charutos onde o fragmento de madeira foi descoberto
A caixa de charutos onde o fragmento de madeira foi descoberto - Divulgação - Universidade de Aberdeen

Em 1872, o engenheiro britânico Waynman Dixon realizou um trabalho de investigação na Grande Pirâmide do Egito e foi responsável por encontrar três itens valiosos dentro da Câmara das Rainhas. Eles foram os únicos objetos já descobertos dentro da estrutura, que ficaram conhecidos como as relíquias de Dixon.

Eram uma bola, um gancho e um fragmento de madeira. Os dois primeiros estão localizados no Museu Britânico, mas o terceiro ficou desaparecido por muitas décadas, sendo finalmente identificado pela assistente curatorial Abeer Eladany no final do ano passado, durante uma revisão de itens na Universidade de Aberdeen, Escócia.

"Assim que olhei para os números em nossos registros do Egito, eu soube imediatamente o que era, e que tinha sido efetivamente escondido à vista de todos na coleção errada", afirmou. “Sou arqueóloga e trabalhei em escavações no Egito, mas nunca imaginei que seria aqui no nordeste da Escócia que encontraria algo tão importante para o patrimônio do meu próprio país”.

O fragmento de madeira / Crédito: Divulgação - Universidade de Aberdeen

 

A pesquisadora explicou que, embora seja apenas um fragmento de madeira, que agora está ainda mais despedaçado, ele é “extremamente significativo, visto que é um dos três únicos itens a serem recuperados de dentro da Grande Pirâmide”. O item foi localizado dentro de uma caixa de charutos, totalmente ao acaso. “Foi como encontrar uma agulha em um palheiro”, contou.

Com a descoberta, cientistas puderam, enfim, realizar o exame de datação por radiocarbono na madeira, o que revelou que ela datava de algum momento entre 3341 e 3094 a.C. Isso é por volta de 500 anos antes do que se pensava anteriormente, quando datávamos a Grande Pirâmide do governo do faraó Quéops, entre 2580 e 2560 a.C.

"É ainda mais antigo do que imaginávamos. Isso pode ser porque a data se relaciona com a idade da madeira, talvez do centro de uma árvore de vida longa. Alternativamente, pode ser por causa da raridade das árvores no antigo Egito, o que significava que a madeira era escassa, valorizada e reciclada ou cuidada por muitos anos”, disse Neil Curtis, da Universidade de Aberdeen.