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Um negro é morto a cada 4 horas por policiais no Brasil, diz pesquisa

De acordo com o levantamento feito em seis estados, 83% das vítimas policiais em 2020 eram pretas

Fabio Previdelli Publicado em 14/12/2021, às 13h28

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Imagem ilustrativa - Getty Images

O estudo A Cor da Violência Policial, que foi divulgado hoje, 14, mostra um ponto preocupante na sociedade brasileira: em seis estados tupiniquins, policiais mataram, em média, seis pessoas negras por dia em 2020. Ou seja, uma vítima a cada 4 horas. 

Em termos de comparação, quando a pessoa morta é branca, esse índice cai bruscamente para apenas um caso em 24 horas. Os dados foram levantados pela Rede de Observatórios de Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesesc), com base em levantamentos dos governos da Bahia, Pernambuco, São Paulo, Piauí, Rio de Janeiro e Ceará, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Ao UOL, um dos pesquisadores do estudo, Pedro Paulo da Silva, diz que o alto número de negros mortos evidencia o racismo nas polícias de nosso país. 

“Precisamos levar o racismo a sério. Isso é entender que o racismo tem uma dimensão de desumanização, que entende que pessoas negras podem e devem ser mortas. Na prática, o racismo é isso: a pessoa se torna não humana”, explica. 

Comparando os períodos de 2019 e 2020, constatou-se uma queda de 31% no total de mortes em decorrência de ações policiais nos estados citados acima. Porém, a disparidade entre o número de mortes entre brancos e negros continua igual. 

Para se ter uma ideia, em 2019, os casos de negros mortos por policiais representava 82% dos registros (enquanto os de brancos somavam 18%). No ano seguinte, o índice teve uma pequena variação, 83% x 17%. Vale ressaltar que os dados não somam o número de vítimas que não tiveram sua cor assinalada. 

Outro ponto a se considerar para entender a situação do país é a formação da sociedade brasileira: nossa população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é formada por 55,7% de pessoas negras — somando-se pretos e pardos — e 43,2% de brancos. 

"A população negra é tida como inimiga do estado brasileiro desde sempre, aquela que precisa ser controlada. Levar o racismo a sério é ver que historicamente havia os capitães do mato para controlar escravizados, depois a polícia para controlar a capoeira, até chegar nos dias de hoje. É como se tivesse uma genealogia da polícia que está conectada ao racismo historicamente”, completa o pesquisador. 

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