Universidade descobre 7 mil mortos sob suas fundações

É tanto cadáver que a instituição está pensando em fazer um mutirão entre professores e alunos para tirá-los

Fábio Marton Publicado em 11/05/2017, às 11h11 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Liceu da Universidade do Mississipi
Liceu da Universidade do Mississipi - University of Mississippi

A Escola de Medicina da Universidade do Mississipi, em Jacksonville, abriga um segredo. Em 2013, durante a construção de uma estrada de acesso - e quase seis décadas após a inauguração do campus - os trabalhadores toparam com caixões sob o solo. 


Escavações em andamento / University of Mississippi

Corpos antigos costumam ser boa notícia para arqueólogos. 66 dos encontrados na construção da estrada foram enviados para Instituto de Arqueologia da mesma instituição, que matou a charada rapidamente (veja abaixo). Só que os defuntos continuaram a aparecer. Não há arqueólogo suficiente para tanto morto. Um ano depois, durante a construção de um estacionamento, a conta chegou a mil. Hoje, o total de mortos é estimado em 7 mil, espalhados por todos os 80.000 m² do campus. 

A origem foi rapidamente descoberta, e não era um cemitério indígena. Antes da abertura do campus, em 1955, ali ficava uma instituição simplesmente conhecida como Insane Asylum ("Asilo do Insanos"), que funcionou entre 1865 e 1935. Nela, segundo estimativas da universidade, foram atendidos 35 mil pacientes, dos quais no mínimo 9 mil morreram sob sua custódia. 


O campus de medicina não fica no prédio da imagem que abre a matéria - mas não tem a menor graça / University of Mississippi

A universidade não sabe o que fazer com tanto cadáver. O custo total para a retirada de todos os mortos do campus pode chegar em até US$ 21 milhões (R$ 65 milhões). Diante o custo, foi cogitado fazer a exumação com as próprias mãos - um mutirão entre arqueólogos, antropólogos, médicos e estudantes. O valor diminuiria para US$ 3 milhões, mas o processo levaria cerca de 8 anos. 

Também há planos para a construção de um memorial para os mortos do asilo na área subterrânea. Ao lado, haverá um laboratório onde restos de roupas e caixões serão estudados. A ideia é identificar os mortos e descobrir algo sobre o tratamento mental na época em que funcionou. O que, sabendo como era a psiquiatria então, deve render toda outra história de terror.


Fonte: USA Today, Rollingout