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Há 19 anos, a usina nuclear de Chernobyl era desligada

Quase ninguém sabe, mas ela continuou a funcionar por 14 anos após a pior catástrofe nuclear da História — e até sofreu mais acidentes

Thiago Lincolins e Fabio Marton Publicado em 12/12/2019, às 10h00

Empregado de Chernobyl da frente do sarcófago feito para o reator 4
Empregado de Chernobyl da frente do sarcófago feito para o reator 4 - Getty Images

Em 13 de dezembro de 2000, Leonid Kuchma, presidente da Ucrânia, apareceu em rede nacional na TV. Tinha isto a dizer: 

"Hoje, nós estamos fechando Chernobyl. Hoje, a Ucrânia tem que entender que Chernobyl é uma grande tragédia para o mundo."

A data é essa mesma. Até o dia anterior, 14 anos após o lugar ter se tornado a maior zona de exclusão por contaminação radioativa do mundo, Chernobyl continuava a produzir energia. Todo o dia, seus funcionários cruzavam os campos irradiados para bater ponto numa das construções mais tétricas da Terra.

Aparentemente, eles não se importavam. Não pareceram exatamente exultantes em deixar seus postos. Quem sabe fosse apenas a famosa cara fechada eslava. Porque havia o que comemorar: o fim de anos de impasse.

Primeira imagem da usina após o desastre / Créditos: Getty Images

 

O reator desligado em 2000 foi o 3. A central nuclear de Chernobyl tinha quatro deles e o que foi aos ares na catástrofe de 1986 foi o número 4. O reator 1 funcionou até 1991, quando um incêndio — sim, quase foi de novo — fez com que fosse desligado. O reator 2 funcionou até 1996, quando terminou fechado por pressão internacional.

Do ponto de vista do governo ucraniano, loucura seria fechar Chernobyl. Um país comunista se recuperando de uma tragédia — e, depois, da não exatamente suave transição para a democracia — não tinha como arcar a construção de outros geradores. Chernobyl produzia 10% da energia da Ucrânia em 1986.

Em 2000, a agora capitalista Ucrânia precisava de US$ 1,2 bilhão para realizar a construção de dois novos reatores nucleares que substituiriam os da sinistra zona de exclusão. Assim, a União Europeia concedeu US$ 1 bilhão para ajudar o país a construí-los.

"Para cumprir uma decisão de Estado e as obrigações internacionais da Ucrânia, ordeno a paralisação prematura da operação do reator número 3 na central nuclear de Chernobyl", disse o presidente Kuchma. Segundos depois, Vitaly Tovstonohov, diretor da usina apertou o botão que encerraria de uma vez por todas seu funcionamento. 

"Senhor Presidente, o terceiro reator está sendo interrompido para o bem. Não tenho mais nada a acrescentar", disse Tovstonohov durante o episódio.

Massa de corium criada após o acidente, mais conhecida como Pé de Elefante, o objeto mais radioativo do mundo / Créditos: Getty Images

 

Relembre a catástrofe

Em relação ao próprio tamanho, usinas nucleares são uma forma imensamente produtiva de gerar energia. O complexo de Angra dos Reis têm a potência de 1,8 GW. Parece pouco perto dos 14 GW de Itaipu, mas pense que são 2 reatores versus 20 turbinas, que precisam de um lago artificial de 1350 km² para funcionar.

Em 1986, o mundo aprendeu pelo método traumático qual pode ser o preço se uma usina dessas é mal-gerenciada, no que foi possivelmente a maior catástrofe ambiental de todos os tempos. No dia 26 de abril, o reator número 4 de Chernobyl explodiu. O incêndio que se seguiu liberou uma nuvem radioativa que atingiu países tão distantes quanto a Itália e Finlândia. A cidade de Pripyat foi evacuada, e a zona de exclusão permanece até hoje.

31 bombeiros e funcionários da usina, que trabalharam na contenção do fogo, morreram de exposição aguda à radiação. Outros 246 trabalhadores morreram entre 1991 e 1998 de doenças circulatórias e leucemia. Quanto ao resto da população afetada, aí começa a controvérsia: relatórios das Nações Unidas estimam que 4 mil pessoas morreram ou vão morrer pela exposição. O Greenpeace fala em 200 mil — mas não é, vamos convir, uma fonte neutra.

Cidade de Pripyat atualmente / Créditos: Getty Images

 

Ainda hoje, há gente morando na zona de exclusão. São funcionários da agência responsável por monitorar a situação, e sua estadia por lá é sempre provisória, para evitar a exposição por muito tempo.


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