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USP abre programa de voluntariado para testes de vacina contra HIV

A pesquisa chamada Mosaico já passou pela fase pré-clínica, onde foi testada em animais, e foi aprovada nas fases 1 e 2, em humanos

Giovanna de Matteo Publicado em 03/12/2020, às 09h32

Imagem ilustrativa de uma seringa de vacinação
Imagem ilustrativa de uma seringa de vacinação - Pixabay

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) abriu um processo de seleção para voluntários brasileiros, com o objetivo de realizar testes de uma nova vacina que promete combater o vírus do HIV.

O estudo, que recebe o nome de Mosaico, já está em desenvolvimento desde 2015, e recebe o auxílio de instituições parceiras de vários países do mundo.

Os testes que já foram realizados em humanos até agora tiveram uma resposta satisfatória na produção de anticorpos e imunização contra o HIV. A pesquisa já passou pela fase pré-clínica, onde foi testada em animais, e foi aprovada nas fases 1 e 2, em humanos.

O público alvo procurado para a campanha de voluntariado determinou um recorte de  homens homossexuais ou bissexuais cisgêneros, e homens ou mulheres transexuais, que tenham entre 18 a 60 anos de idade.

A tecnologia dessa vacina consiste na injeção de informações genéticas de proteínas do vírus HIV que são "instaladas" dentro de outro vírus, que seja não prejudicial aos seres humanos.

Quando o indivíduo recebe a vacina, o vírus se reproduz no organismo da pessoa, liberando dentro do corpo as proteínas injetadas em seu material genético. Desse modo, a resposta imune contra as proteínas do vírus é produzida pelo sistema imunológico.

Pessoas que queiram se voluntariar para o programa devem entrar em contato com o Programa de Educação Comunitária da USP, através do Instagram ou do e-mail agendamento.estudos@gmail.com.

Sobre a Aids

O ano é 1900. Um homem com ferimentos abertos pela vegetação da selva da África procura sua caça no sudeste de Camarões. Sem dificuldades, encontra e captura um chimpanzé. Enquanto tenta escapar, o animal morde o agressor. O caçador abate o primata com uma faca, joga a presa ensanguentada sobre os ombros, também cheios de feridas, e segue seu caminho.

Ele nem imagina, mas é uma das pessoas que carregam no sangue as primeiras infecções do SIV, o vírus da imunodeficiência dos símios. A variação desse organismo em humanos, o HIV, provocaria a doença que se chamaria aids (síndrome da imunoautodeficiência adquirida) e desencadearia uma verdadeira epidemia.

Muito antes de ser descoberto, o vírus passaria várias décadas provocando mortes sem causa definida. Hoje alguns passos dessa trajetória são conhecidos.

Nos primeiros anos do século 20, macacos contaminados eram carregados por comerciantes que desciam o rio Sangua, afluente do rio Congo, até a feira de Leopoldville (atual Kinshasa, na República do Congo).

Ali, os comerciantes contaminados pelas primeiras mutações do SIV em HIV gastavam seu dinheiro com as prostitutas locais. "Assim, o vírus do chimpanzé, já presente no sangue de humanos, ganhou a capacidade de atingir outras pessoas pela relação sexual", diz o médico infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor de A História da Humanidade Contada pelos Vírus.

"A prostituição e os estupros durante as guerras de independência na África espalharam a doença, que ao longo do tempo foi confundida com muitas outras, como pneunomia e anemia profunda."

A disseminação para fora da África começou na década de 60. A guerra de independência de Guiné-Bissau levou uma onda de refugiados para Gâmbia, Senegal e Cabo Verde - e deste último país partiram pessoas infectadas para a Europa. O primeiro caso nas Américas foi registrado em 1978, no Haiti. No Brasil, a doença surgiu em 1981.

Desde que foi identificada, a aids deixou milhões de vítimas fatais. Ainda que a cura não tenha sido encontrada, a combinação de medicamentos descobertos nos últimos anos permite que o paciente tenha uma vida mais confortável.