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Vacina contra HPV pode reduzir casos de câncer cervical em quase 90%, aponta estudo

A pesquisa trouxe uma descoberta inédita que, para o Cancer Research UK, pode ser considerada "histórica"

Pamela Malva Publicado em 04/11/2021, às 16h00

Imagem meramente ilustrativa de pessoa sendo vacinada
Imagem meramente ilustrativa de pessoa sendo vacinada - Divulgação/ Pexels/ FRANK MERIÑO

Publicado recentemente pela revista Lancet, um novo estudo trouxe dados animadores acerca da vacina contra o HPV. Segundo dados observados pelo Cancer Research UK, o medicamento tem a capacidade de reduzir casos de câncer cervical em quase 90%.

Conforme divulgado pela BBC, o estudo analisou os impactos da vacina em um grupo de meninas inglesas, que receberam o imunizante em 2008. Hoje, anos mais tarde, o estudo verificou que o medicamento contra o HPV reduziu o número de casos da doença cervical em até 87%, prevendo cerca de 450 cânceres e 17.200 pré-cânceres.

Para o professor Peter Sasieni, um dos pesquisadores do King's College London, o impacto da vacina “foi enorme”. O especialista, contudo, acredita que essa é "apenas a ponta do iceberg", já que as meninas analisadas eram jovens demais para terem câncer, então os números indicados pela pesquisa podem crescer ainda mais com o tempo.

Atualmente, o câncer cervical é o quarto tipo de câncer mais comum entre mulheres em todo o planeta e vitimiza mais de 300 mil pessoas por ano. Por isso, inclusive, o Cancer Research UK acredita que a descoberta do impacto da vacina contra o HPV no combate à essa fatídica doença é uma realização “histórica".

A expectativa dos estudiosos agora é que a vacina seja ainda mais eficaz em países de baixa e média renda, já que quase nove em cada dez mortes causadas pelo câncer cervical no mundo ocorrem nessas nações. A boa notícia é que mais de 100 países já distribuem o imunizante como parte dos esforços da OMS para eliminar a doença.

O problema é que a vacina contra o HPV só consegue prevenir uma infecção por vírus (o câncer cervical, por exemplo, é causado por esse patógeno), mas não pode curar uma doença depois de contraída. Dessa forma, a imunização deve ser realizada entre as crianças antes mesmo que elas se tornem sexualmente ativas, ainda segundo a BBC.