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Vaticano libera hoje documentos que podem esclarecer suposta colaboração de Pio XII com os nazistas

Líder católico foi acusado de não se posicionar perante as atrocidades cometidas pelos alemães durante o Holocausto

Fabio Previdelli Publicado em 02/03/2020, às 10h00

Papa Pio XII
Papa Pio XII - Wikimedia Commons

Nesta segunda-feira, dia 02, finalmente o Vaticano revelará os documentos da Igreja Católica relacionados ao papa Pio XII — acusado de não se posicionar perante as atrocidades cometidas pelos alemães nazistas durante o Holocausto.

O arquivo será aberto para 200 pesquisadores que buscam entender melhor o porquê o pontífice permaneceu em silêncio perante o extermínio de mais de seis milhões de judeus. Ao todo, 16 milhões de páginas de decretos, encíclicas e correspondências pessoais e diplomáticas serão disponibilizados. O inventário demorou cerca de 14 anos para ficar pronto e foi organizado por arquivistas do Vaticano.

Nas últimas décadas, a Igreja já havia disponibilizado 11 volumes compilados sobre esse período. No entanto, segundo pesquisadores, existem algumas lacunas que eles esperam serem preenchidas, principalmente no que se diz respeito às repostas do papa.

“Quando o papa recebe um documento sobre os campos de concentração [informação revelada nos volumes compilados já divulgado], não temos a resposta. Ou ela não existe ou está no Vaticano”, explica o historiador alemão Hubert Wolf que, acompanhado de seis assistentes, explorará o material que será disponibilizado hoje.

Wolf diz estar ansioso para destrinchar os documentos que podem revelar uma “vida secreta” de Pio XII. Com base em notas escritas por 70 embaixadores do Vaticano no exterior, além de pedidos de ajuda de entidades judaicas e mensagens trocadas com o então presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt, ele espera entender de uma vez por todas o papel que o líder católico desempenhou durante esse período conturbado da história mundial.

“Não há dúvida de que o papa estava consciente dos assassinatos de judeus, o que realmente nos interessa é quando ele soube pela primeira vez e quando acreditou”, concluiu o historiador em entrevista à AFP.