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Vaticano proíbe benção a união de casais homossexuais

“Deus não pode abençoar o pecado”, diz trecho de documento emitido pela Congregação para a Doutrina da Fé

Fabio Previdelli Publicado em 15/03/2021, às 13h00

O Papa Francisco
O Papa Francisco - Wikimedia Commons

Nesta segunda-feira, 15, o Vaticano publicou um documento anunciando que padres e outro ministros da Igreja Católica não podem abençoar a união entre pessoas do mesmo sexo.

Além do mais, a nota diz que esses atos, se realizados, serão considerados ilícitos. “Deus não pode abençoar o pecado”, diz um trecho do comunicado. As informações são da Reuters.  

A afirmação veio em resposta a uma série de perguntas enviadas por diversas paróquias à Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). Elas expressaram o desejo de conceder tal benção aos casais como uma espécie de ‘boas-vindas’ aos gays católicos. 

Porém, o retorno, que recebeu o aval do papa Francisco, foi desfavorável. Entretanto, o CDF reconheceu que o pedido foi "motivado por um desejo sincero de acolher e acompanhar os homossexuais", o que lhes ajudaria a crescer na fé.  

A Congregação afirma que a decisão “não se destina a ser uma fonte injusta de discriminação, mas sim um lembrete da verdade do rito litúrgico”. Uma nota da CDF diz que o casamento entre homem e mulher é uma consagração e as bençãos estão relacionadas ao sacramento do casamento, algo que não pode ser estendido a pessoas do mesmo sexo.  

“Por esse motivo, não é lícito dar bênção a relacionamentos, ou a parcerias estáveis, que envolvam atividade sexual fora do casamento (ou seja, fora da união indissolúvel de um homem e uma mulher, aberta em si mesma à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo", diz parte do comunicado. 

A proibição da benção, no entanto, de acordo com o Vaticano, não é exclusiva a casais homoafetivos, mas também se estende a todos modelos de relacionamento ou exercício da sexualidade que não estejam de acordo com o ideal católico, dentro do matrimônio.  

Além do mais, o documento explica que a decisão permite que concessões possam ser feitas a “pessoas com inclinações homossexuais, que manifestem a vontade de viver em fidelidade aos desígnios revelados por Deus”.