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Veja imagens da arte rupestre encontrada em área remota da floresta amazônica

Os desenhos de 12 mil anos retratam a vida selvagem antiga em registros confeccionados com ocre

Wallacy Ferrari Publicado em 02/12/2020, às 09h36

Paredes contendo desenhos rupestres de ocre
Paredes contendo desenhos rupestres de ocre - Divulgação/ Ella Al-Shamahi

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Exeter localizou uma parede com 13 quilômetros de extensão repleta de artes rupestres com padrões de desenho da era glacial, no oeste da floresta amazônica, dentro do território da Colômbia. Os registros foram feitos com ocre, pigmento vermelho usado antigamente como tinta por povos nativos.

As pinturas, confeccionadas durante do final da Era do Gelo, há cerca de 12.600 a 11.800 anos, retratam desenhos geométricos e diversos animais, como pequenos morcegos, tartarugas e serpentes, assim como humanos interagindo com cavalos e mamíferos de tromba. A parte leste da parede de desenhos teve mais sinais de desaparecimento ao longo dos milênios.

Parte da parede com sinais de desaparecimento ao longo dos milênios / Crédito: Divulgação/ Ella Al-Shamahi

 

As imagens, encontradas no sítio arqueológico de Serranía La Lindosa, foram reveladas em abril deste ano pela equipe — porém, em novo comunicado, noticiado pela Live Science, a descoberta será retratada em um documentário da TV britânica em dezembro, nomeado "Jungle Mystery: Lost Kingdoms of the Amazon" (“Mistério da Selva: Reinos Perdidos da Amazônia", em tradução livre).

As pinturas encontradas/ Crédito: Divulgação/ Ella Al-Shamahi

 

Em nota, o co-pesquisador e arqueólogo da Universidade de Exeter, José Iriarte, explicou a importância da descoberta: "Essas pinturas rupestres são uma evidência espetacular de como os humanos reconstruíram a terra e como caçaram, cultivaram e pescara. [...] É provável que a arte fosse uma parte poderosa da cultura e uma forma de as pessoas se conectarem socialmente."

Sobre a floresta 

Quando pensamos na Floresta Amazônica, a imagem mais comum é a de um "inferno verde", com animais perigosos e desafios para a sobrevivência humana.

Mas o que pesquisas recentes indicam é que a floresta era densamente populosa, com povos indígenas produzindo inúmeros objetos e praticando intensa agricultura, caça e pesca.

Uma das principais fontes sobre o assunto é o diário do Frei Gaspar de Carvajal, dominicano espanhol que participou, em 1542, da expedição de Francisco de Orellana, que desceu o rio Amazonas de sua nascente, no Peru, até sua foz, próxima à ilha de Marajó, no Pará.

Além de famosa por estabelecer a primeira relação entre o grande rio do Novo Mundo e a palavra "Amazona", a partir da visão de guerreiras indígenas que o fizeram recordar o mito grego das Amazonas, essa narrativa é importante por descrever a densidade da população que ocupava as margens dos rios.

Tal relato vem sendo confirmado por pesquisas arqueológicas na área, que continuamente escavam objetos de pedra e cerâmicas ricamente trabalhadas, reconstruindo assim a história desses povos.