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Notícias / Paleontologia

Verdadeira forma do megalodon ainda não é conhecida, diz pesquisa

Estudo publicado na revista Historical Biology aponta que a ciência ainda não tem conhecimento da verdadeira aparência do tubarão-pré-histórico

Isabela Barreiros Publicado em 09/02/2022, às 10h18

Ilustração artística de megalodon - Nobu Tamura via Wikimedia Commons
Ilustração artística de megalodon - Nobu Tamura via Wikimedia Commons

Embora o tubarão pré-histórico megalodon seja extremamente conhecido, tendo ficado famoso pelo filme “Megatubarão”, lançado em 2018, a verdade é que a ciência não conhece sua verdadeira forma corporal.

Segundo um estudo publicado no periódico científico Historical Biology no último domingo, 6, a aparência prevista por cientistas, que pode ser vista em ilustrações digitais do antigo animal, não passam de especulações.

Os pesquisadores ressaltam que existem poucos registros fósseis da espécie Otodus megalodon, o que a torna bastante misteriosa. O conhecimento que obtivemos até hoje foi conseguido por meio de escassos dentes e vértebras fossilizados.

Para o principal autor da pesquisa, Phillip Sternes, ainda “não há meios científicos para apoiar nem refutar" a precisão das formas corporais do megalodon desenvolvidas e publicadas pela ciência ao longo dos anos, segundo noticiou a revista Galileu.

No estudo, ressalta-se o fato de que o Otodus megalodon de fato existiu e foi gigante. No entanto, definir sua forma exata é uma tarefa mais difícil do que parece: até agora, ele foi definido como um animal entre 15 a 20 metros de comprimento, comparado ao moderno tubarão-branco.

O paralelo ao animal da espécie Carcharodon carcharias ocorre em decorrência da falta de registros fósseis do megalodon, o que fez com que os cientistas usassem o mais moderno como “modelo” para o corpo do que viveu entre 15 a 3,6 milhões de anos atrás.

“Os grandes [tubarões] brancos estão entre os tubarões nadadores mais rápidos, então os megalodontes provavelmente também eram tubarões grandes e rápidos que você não gostaria de encontrar em mar aberto”, explicou Sternes em nota.

Os dois são da ordem dos lamniformes e é provável que tenham sangue parcialmente quente, o que faria com que a velocidade de natação ficasse mais rápida. A partir disso, foi aplicada uma técnica de desenho bidimensional para uma análise da forma do megalodon em cinco espécies de tubarão diferentes.

O mesmo foi feito com o restante da ordem lamniforme, formada por animais de sangue frio. No entanto, não foram encontrados padrões que apontassem para diferenças nas formas corporais. De acordo com Sternes, “o sangue quente não faz de você um tubarão de formato diferente”.

O estudo é uma porta para que novas pesquisas sobre o tema sejam feitas, enquanto o especialista encoraja que novos fósseis de megalodon sejam descobertos para que se tenham novas informações sobre a espécie.

“O estudo pode parecer um retrocesso na ciência, mas o mistério contínuo torna a paleontologia, o estudo da vida pré-histórica, um campo científico fascinante e emocionante”, afirmou o co-autor do artigo, Kenshu Shimada, professor de paleobiologia da Universidade DePaul, nos EUA.