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Violência e rituais sangrentos eram comuns entre nômades da Sibéria, aponta estudo

Analisando um cemitério do século 2, pesquisadores encontraram 87 esqueletos com marcas brutais de agressão

Alana Sousa Publicado em 19/09/2020, às 10h45

Esqueletos nômades
Esqueletos nômades - Divulgação/Tunnug 1 Research Project

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Berna e da Academia Russa de Ciências busca revelar mais detalhes sobre a vida dos nômades da Sibéria, que viveram durante entre séculos 2 e 4. Publicado no American Journal of Physical Anthropology, os especialistas relaram como a violência era um fator presente nessas comunidades.

A pesquisa, liderada por Marco Milella do Departamento de Antropologia Física, Instituto de Medicina Legal (IRM), Universidade de Berna, tem como base documentos de antigos historiadores, que já descreviam os nômades das estepes como pessoas violentas.

Além de estudos do passado, os cientistas analisaram vestígios arqueológicos da República de Tuva, no sul da Sibéria. A região apresenta um rico panorama sobre os seres humanos desde o Paleolítico. Intitulado Tunnug1, o local abriga um cemitério dos primeiros séculos, aonde 87 pessoas foram enterradas.

Ao estudar tais esqueletos encontrados no sítio arqueológico, os pesquisadores se depararam com marcas de violência presentes em grande parte dos cadáveres. O que mais chamou atenção da equipe foi que, algumas dessas evidências podem ter sido fruto de rituais.

“Isso sugere que a violência não estava relacionada apenas a incursões e batalhas, mas provavelmente também devido a rituais específicos, ainda misteriosos, envolvendo a matança de humanos e a coleta de troféus de guerra”, afirmou Milella.

Segundo os autores do artigo, 25% dos esqueletos sofreram com injúrias interpessoais, adquiridas em combate contra outra pessoa. Não só homens estavam envolvidos em tal tipo de violência, mas mulheres e crianças também.