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Violenta queda de meteoro, há mais de 12 mil anos, mudou composição de objetos na Terra

“Para ajudar na perspectiva, temperaturas eram tão altas que poderiam derreter um automóvel em menos de um minuto”, diz pesquisador

Wallacy Ferrari Publicado em 11/03/2020, às 09h00

Rastros de meteoro captados em 2006 exemplificam a sua alta temperatura
Rastros de meteoro captados em 2006 exemplificam a sua alta temperatura - NASA

Antes da barragem de Taqba cobrir o rio Eufrades, na Síria, um sítio arqueológico na região foi objeto de estudo durante a década de 1970. Os arqueólogos conseguiram coletar evidências materiais, como estruturas, alimentos e ferramentas para estudos relacionados a agricultura, formando uma linha do tempo de quase 12.800 anos. Porém, a pesquisa revelou uma alteração nos assentamentos rurais no local.

Entre os ossos de animais e materiais de construção havia vidro fundido aos itens, com características de exposição a temperaturas extremamente altas, impossíveis de serem geradas por seres humanos na época. A atribuição inicial era de alguma exposição a erupções vulcânicas ou relâmpagos, porém, na intensidade que foi analisado, a equipe restringiu as possibilidades para algo extremamente violento.

Ilustração mostra como o vidro se espalhou e fundiu em outros objetos / Créditos: Moore, et al. 2020

 

Com alta velocidade e transmissão de energia, James Kennett, professor emérito de geologia da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, teve a oportunidade de observar as características dos materiais e acredita que o fenômeno foi causado por um impacto cósmico: “Para ajudar na perspectiva, temperaturas eram tão altas que poderiam derreter um automóvel em menos de um minuto”.

Os fragmentos coletados indicam que a alta temperatura pode ter sido alcançada após a colisão de um meteoro, que explodiu ao alcançar o planeta. O impacto foi tamanho que contribuiu diretamente a extinção da maioria dos animais de grande porte, como cavalos, camelos e mamutes. Especificamente no sítio arqueológico Abu Hureyra, há mais de 30 locais que mantém evidências de queima massiva.