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Visão política altera a percepção de dados concretos e verificáveis, afirma estudo

Segundo estudo realizado em Harvard, democratas e republicanos não têm apenas interpretações diferentes da realidade, mas absorção de fatos também

André Nogueira Publicado em 04/06/2020, às 13h22

Sombra de Donald Trump, presidente dos EUA
Sombra de Donald Trump, presidente dos EUA - Divulgação

Uma nova pesquisa desenvolvida por economistas da Universidade de Harvard demonstrou que a opinião política das pessoas altera não apenas a interpretação do mundo, mas também sua percepção de dados e fatos verificáveis.

A análise de grupos de eleitores dos democratas e republicanos, assim como de adeptos ou não de Trump, provou uma verdadeira distorção da compreensão de questões básicas disponíveis.

O estudo, iniciado por Alberto Alesina, Nathaniel Ropes, Armando Miano e Stefanie Stantcheva revelou que a visão política dos grupos não cria apenas "lentes" para a compreensão do fenômeno da desigualdade de renda, mas modifica sua posição e leitura dos dados.

"Tudo isso começou com um esforço para realmente tentar entender o que está na cabeça das pessoas", disse Stantcheva à imprensa. “Como as pessoas pensam sobre suas decisões? Como elas decidem quais políticas apoiar ou não? Como elas raciocinam sobre elas?"

A partir de uma consulta dos valores políticos dos entrevistados, com a compreensão da confluência de fatores internos e externos ao indivíduo, eles alegaram a distinção na absorção do conteúdo sobre mobilidade, desigualdade e imigração. Segundo Stantcheva, esse fato tem mais de uma origem.

Para ela, democratas e republicanos tendem a buscar informações em fontes diferentes com perspectivas desiguais — o que mostra a informação de outra forma. Ao mesmo tempo, fatores como educação, experiência de vida, grau de confiabilidade, que se tem em relação à fonte e crenças fundamentais sobre temas, modificam a percepção diferente entre esquerda e direita.

"Quanto você mudará sua crença em função dessa informação dependerá do peso que você deposita nela, e esse peso dependerá do que você já pensa", disse ela. "Sem interrupção, é apenas um ciclo que se reforçará”.

Ela afirma ainda que o tema mais dividido da pesquisa, a imigração, teve essas distorções fortemente afetadas pela disseminação de informações falsas ou apelativas. “Um grupo não é necessariamente mais errado que o outro. Todo mundo está errado."

Para a pesquisadora, dados concretos não são simplesmente apreendidos de forma bruta, sendo muitas vezes negados ou analisados a partir de compromissos distorcidos.

"As pessoas que mais precisam das informações terão menos probabilidade de procurá-las. Parece que elas não percebem que estão erradas ou estão muito confusas em suas crenças, e não querem que suas crenças sejam mudadas".