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Volkswagen reconhece sua participação na Ditadura Militar

Em nota, a montadora afirmou que “se solidariza por eventuais episódios que envolveram seus ex-empregados" durante o regime

Pamela Malva Publicado em 16/03/2021, às 12h00 - Atualizado às 12h17

Imagem retrata o período de repressão
Imagem retrata o período de repressão - Divulgação

Em setembro de 2020, a Volkswagen revelou que irá indenizar mais de 60 ex-funcionários perseguidos pela empresa durante a Ditadura Militar. No último domingo, 14, então, a montadora reconheceu sua participação em situações de "violações de direitos humanos" durante regime, segundo a Opera Mundi.

Através do anúncio, feito nos principais jornais impressos do Brasil, a empresa afirmou que "lamenta profundamente as violações de Direitos Humanos ocorridas naquele momento histórico”. Ainda mais, a Volkswagen disse que “se solidariza por eventuais episódios que envolveram seus ex-empregados e seus familiares”.

Além de reconhecer sua responsabilidade “em defesa incondicional do Estado Democrático de Direito”, a montadora citou o acordo anunciado no ano passado e ainda confirmou que "apoiará projetos destinados à promoção de memória e verdade em relação a violações aos Direitos Humanos".

Segundo a nota, a empresa acredita "que é responsabilidade comum de todos os agentes econômicos e da sociedade respeitar e promover os Direitos Humanos". Dessa forma, ela classifica seu acordo de indenização como algo "sem precedentes no país".

Sobre o acordo de indenização

A partir do reconhecimento de sua participação durante a Ditadura Militar, a Volkswagen anunciou, em setembro de 2020, que irá indenizar seus ex-funcionários perseguidos durante o regime. Assim, a montadora anunciou que pagará cerca de R$ 36 milhões para as mais de 60 pessoas prejudicadas na época.

Em entrevista à Opera Mundi no ano passado, a empresa afirmou que R$ 10,5 milhões serão revertidos para "projetos de promoção da memória e da verdade em relação às violações de direitos humanos ocorridas no Brasil durante a ditadura militar".

Enquanto isso, R$ 16,8 milhões irão para a Associação dos Trabalhadores da Volkswagen - Associação Henrich Plagge. Ainda assim, “a maior parte dessa verba será destinada a ex-trabalhadores da Volkswagen do Brasil — ou seus sucessores legais — que manifestaram terem sofrido violações de direitos humanos durante a ditadura", segundo explicou a marca à Opera Mundi, no ano passado.

Para o IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas), contudo, o acordo da Volkswagen está “aquém do que foi negociado nos últimos cinco anos”. Em entrevista à Opera Mundi, o grupo que reúne educadores, acadêmicos e gestores de políticas públicas afirmou que tudo se resume a uma tentativa “rasa e distorcida” de retratação.