Testeira

A curiosa descoberta da estátua de um cão de 2.000 anos

Compreendendo a Roma Antiga, o achado arqueológico instiga amantes de arqueologia

Joana Freitas, arqueóloga Publicado em 23/01/2022, às 09h00

A estátua encontrada durante escavações
A estátua encontrada durante escavações - Divulgação/Ministério da Cultura italiano

Muitas vezes os achados arqueológicos da Roma Antiga presenteiam os amantes de arqueologia com pequenos e belos vislumbres do passado, aproximando-nos da época e mostrando que há muito que ainda compartilhamos.

No início de 2022, foi anunciada a descoberta de uma estátua feita de terracota que representava um cão. O achado foi realizado durante obras de manutenção de uma conduta de água no Appio Latino da cidade de Roma.

Estruturas funerárias

Durante o processo foram encontrados, além da estatueta, três túmulos. Este bairro é referenciado por ser um local onde era possível encontrar várias Villas e onde foram localizadas diversas estruturas funerárias.

De acordo com as informações do Ministério da Cultura italiano, um dos túmulos parecia conter provas de que ali tinha ocorrido um incêndio, o que pode explicar a sua inutilização. Os túmulos faziam parte de um antigo complexo funerário de maiores dimensões construído possivelmente entre o século I a.C. e o século I d.C.

Divulgação/Ministério da Cultura italiano
Divulgação/Ministério da Cultura italiano

Em relação à estátua, esta foi encontrada a cerca de meio metro abaixo do nível do solo e foi moldada a partir de terracota. A estátua em formato de cão apresenta similaridades com as que antigamente eram usadas como parte de sistemas de drenagem em telhados com forte inclinação.

Apenas decoração?

Contudo, não apresenta buracos, ou seja, não existia forma de a água circular. Atendendo a estas características é possível supor que a estátua foi provavelmente concebida e utilizada apenas como decoração.

O artefato tem cerca de um palmo de altura e apresenta a figura de um cão com orelhas pontiagudas usando o que aparenta ser uma coleira com um emblema e prendendo um pequeno objeto entre as suas patas. No entanto, não foi descoberto o tipo de raça a que pertencia ou se seria um animal de porte grande ou pequeno.

Segundo as informações avançadas por um porta-voz da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals, essas informações têm que ser bem equacionadas uma vez que as raças de cães mudaram drasticamente nos últimos dois milénios.

Além disso, durante o período romano, houve criação seletiva de cães para atender a qualidades desejáveis e para funções específicas, tais como caça, guarda e companheirismo.