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Testeira

O impressionante sequenciamento genético de uma vítima do Vesúvio, há quase 2 mil anos

Nova pesquisa foi capaz de sequenciar o DNA de uma vítima da tragédia ocorrido em Pompeia

Joana Freitas, arqueóloga* Publicado em 29/05/2022, às 06h00

Vértebra lombar (à esqu.) e pintura da tragédia (à dir.) - Divulgação e omínio Público
Vértebra lombar (à esqu.) e pintura da tragédia (à dir.) - Divulgação e omínio Público

Uma equipe de cientistas examinou os restos mortais de dois indivíduos que foram encontrados na Casa do Artesão, em Pompeia, e extraíram o seu DNA. Essas pessoas faleceram após a trágica erupção do Vesúvio em 79 d.C.

Uma análise mais detalhada das ossadas aponta que um conjunto de restos mortais pertencia a um homem com idade compreendida entre os 35 e 40 anos quando faleceu, enquanto os outros restos mortais pertencem a uma mulher com mais de 50 anos.

Embora se tenha conseguido extrair e sequenciar o DNA antigo de ambos os indivíduos apenas o material genético do homem conseguiu ser sequenciado. Os cientistas conseguiram recuperar o DNA da parte petrosa do osso temporal, um segmento em forma de triângulo localizado perto de nossos ouvidos.

Vértebra lombar de uma pessoa que morreu em Pompeia /Crédito: Divulgação/Gabriele Scorrano et.al

Comparações do DNA agora extraído com o material genético obtido de 1.030 outros indivíduos antigos e 471 indivíduos eurasiáticos ocidentais modernos sugeriram que o seu DNA apresentava a maioria das semelhanças com os italianos centrais modernos e outros indivíduos que viveram na Itália durante a era Imperial.

Diversidade genética?

No entanto, análises do DNA mitocondrial e do cromossoma Y do indivíduo masculino também identificaram grupos de genes que são comumente encontrados nos habitantes da ilha da Sardenha, mas não entre outros indivíduos que viveram na Itália durante a era Imperial Romana. Isso sugere que pode altos níveis de diversidade genética em toda a península italiana durante esse tempo.

Análises complementares ao esqueleto do indivíduo em estudo identificaram lesões numa das vértebras. Foram ainda reveladas a nível bacteriológico: Mycobacterium, o grupo de bactérias causador da tuberculose. Isso sugere que o indivíduo pode ter sido afectado pela tuberculose antes da sua morte.

As descobertas demonstram que, apesar de todos os factores de degradação de DNA ainda é possível recuperar material antigo dos restos mortais humanos de Pompeia, e dessa forma, acrescentar informações valiosas sobre a vida dessas pessoas.