Testeira

Técnica permitirá ler pergaminhos destruídos pelo Vesúvio há 2.000 anos

Revelados no ano de 1752, os registros importantes podem ser salvos pela tecnologia

Joana Freitas, arqueóloga Publicado em 14/02/2022, às 15h39

Registro de um dos pergaminhos
Registro de um dos pergaminhos - The Digital Restoration Initiative/Universidade do Kentucky

Pergaminhos encontrados na cidade de Herculano, destruída e coberta de cinzas pelo Monte Vesúvio em 79 d.C., poderão ser lidos novamente em breve.

Os investigadores trabalham há cerca de dois anos numa nova tecnologia que permitirá ler documentos carbonizados há cerca de 2.000 anos.

Coleção incrível

Os pergaminhos em questão foram descobertos nas ruínas da cidade de Herculano no ano de 1752 e são alvo de estudos por uma equipe de investigadores desde 2019. Os pergaminhos fazem parte de uma coleção de 1.800 documentos.  

Os documentos em questão são analisados por academicos desde que foram encontrados. Contudo, o seu estado não permitia uma análise aprofundada uma vez que, se os tentassem abrir, muito provavelmente acabariam destruídos.

A maioria dos documentos foi encontrada carbonizada e enrolada, semelhantes a pequenos troncos de árvores o que torna impossível desvendar e ler o texto de uma forma clara.

O conteúdo

Parte dos escritos encontrados é sobre filosofia grega, corrente dominante à época e muito provavelmente escrito em Latim, muito semelhante a outros da mesma coleção que foram encontrados abertos.

Os pergaminhos foram descobertos numa biblioteca que tudo aponta ter pertencido ao sogro de Júlio César, Lucius Calpurnius Piso Caesoninus. A biblioteca, denominada Villa dos Papyri, é a única biblioteca intacta da Antiguidade.

Para ter acesso ao conteúdo dos documentos, redigidos numa língua morta, a equipe de investigadores irá utilizar o synchrotron, a Fonte de Luz Diamante, uma poderosa instalação capaz de produzir luz biliões de vezes mais brilhante do que o sol.

Para conseguir tal efeito os eletrons são acelerados quase até à velocidade da luz. Numa fase inicial, a equipe testa o método em dois pergaminhos intactos e quatro outros menores fragmentados do L'institut de France.

De acordo com os investigadores, esta técnica permite que uma luz muito intensa atravesse o pergaminho, permitindo que imagens bidimensionais sejam projetadas pelo documento. A partir desses dados a equipe começa a reconstruir o volume tridimensional do objeto e assim tenta ler o texto de uma forma não destrutiva.


Joana Freitas é formada em História na vertente de Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e tem por áreas de maior interesse a evolução humana e a pré-história. Fora do campo de formação tem como disciplinas preferidas a antropologia e a paleontologia que no fundo complementam a sua formação de base.

Gosta de conhecer outros lugares, principalmente as suas pessoas, ler e escrever. Embora tenha participado em diversas escavações de vários períodos históricos de diversos países, o local arqueológico que mais marcou o seu percurso e onde esteve presente em várias campanhas diferentes foi castanheiro do vento, um recinto pré-histórico em Vila Nova de foz Côa, em Portugal.