A era Tom Ford: O homem que revolucionou a Gucci

O estilista texano transformou a grife em um Império Fashion — mesmo com todas as polêmicas

Laura Wie (@laura_wie), especialista em História da Moda Publicado em 11/12/2021, às 09h00

Tom Ford, no New York Fashion Week, em 2021
Tom Ford, no New York Fashion Week, em 2021 - Getty Images

Em um certo momento em que a Gucci estava muito fragilizada, por conta de problemas familiares dentro dos negócios, profissionais da moda ficaram reticentes em trabalhar para a grife, pois não queriam a imagem deles ligada a uma empresa "pouco" séria, que muitas vezes tomava decisões desconcertantes.

Foi apenas a partir da contratação do estilista Tom Ford que a empresa deu um salto, transformando-se novamente em uma grife atrativa, com lançamento de coleções aclamadas pela imprensa especializada. Podemos dizer que ele definiu um padrão de design que se perpetuou ao longo do tempo.

Quando Tom Ford se torna o Diretor Criativo da marca em 1994, realiza um desfile considerado morno. Mas um ano depois, em 1995, ele imprime o que vem a ser o novo conceito da Gucci: moda sexy, cores fortes, tecidos extravagantes como o couro, veludo, cetim, seda e peles, desfilados por grandes modelos da época em atitude forte e determinada.

A inspiração para essa coleção veio dos glamurosos anos 70 (e muito do Studio 54, que Ford frequentou com Andy Warhol e Halston assim que chegou em Nova York, vindo do Texas). Além disso, ele se envolveu diretamente com a criação das campanhas da marca, trazendo provocação também em imagens com muita pele à mostra, em parceria com o fotógrafo Mario Testino e a stylist Carine Roitfeld.

Tom Ford, estilista / Crédito: Getty Images

 

Tudo isso foi um contraponto à moda grunge sem formato ou bom caimento que era o hit dos anos 90. E assim o tom de Tom (perdoem a brincadeira) foi dado, reposicionando de vez a Gucci no mercado de luxo mundial e transformando-a num Império Fashion.

Atualmente, o Diretor Criativo da marca é o italiano Alessandro Michele, que sendo fã de Ford, segue muitas das diretrizes deixadas pelo seu antecessor, incluindo o apelo sexy, peças sem gênero definido e um conceito de looks urbanos altamente desejáveis pelas gerações Z e Milênio — a Gucci conversa bem com as novas gerações.

No podcast a seguir, conheça a trajetória da grife. Nesta série “Gucci e sua História”, em 4 episódios, eu conto a saga da família que deixou um legado inestimável para a moda.

Ouça agora o terceiro capítulo:


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