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Moda com História / Personagem

Frida Kahlo e a sua Casa Azul: Quando a arte se beneficia de uma vida de dor e amor

A pintora mais extravagante do México ainda comove e serve de inspiração 67 anos após a sua morte

Laura Wie (@laura_wie) Publicado em 17/01/2022, às 06h00 - Atualizado em 22/02/2022, às 11h26

Casa Azul, onde Frida Kahlo morou - Laura Wie
Casa Azul, onde Frida Kahlo morou - Laura Wie

O universo criativo de Frida Kahlo tem um nome que denota profundidade: Casa Azul. A residência onde ela nasceu, morou a maior parte da sua vida e morreu, possui as paredes pintadas de um intenso azul-cobalto, uma cor que fascina. E além de captar os nossos olhos, nos leva também a imaginar a trajetória da artista neste espaço, vivida com força inabalável e muita determinação.

Os primeiros anos 

Frida Kahlo nasceu em 1907 na casa construída pelo pai três anos antes, no bairro residencial de Coyoacán, na Cidade do México. Guilherme Kahlo era imigrante alemão e o fotógrafo oficial do patrimônio cultural mexicano, contratado pelo governo. Durante seu segundo casamento — com Matilde Calderón, natural do país — Frida nasce, sendo a terceira de quatro filhas.

Casa Azul, localizada no bairro residencial de Coyoacán, na Cidade do México / Crédito: Laura Wie

Com 6 anos de idade a menina contraiu poliomielite e uma das consequências da doença foi uma perna mais curta do que a outra, o que já causava incômodo e gracinhas dos colegas. Mas ela nem imaginava que, aos 18 anos, a sua vida teria novo revés: Frida sofre um acidente no ônibus que a trazia da escola e quebra vários ossos, com graves danos à sua coluna.

A necessidade de ficar imobilizada durante os próximos meses a leva a pintar. Seu pai, que era também envolvido com arte, empresta tintas e pincéis, e a mãe manda fazer um cavalete adaptado para a cama.

Retrato de Frida Kahlo / Crédito: Divulgação / Youtube / Fine Arts Museums of San Francisco

Com enorme sensibilidade, Frida coloca em prática o aprendizado das aulas de pintura do colegial, e começa a esboçar os seus sentimentos nas telas: as dores física e emocional são retratadas em trabalhos intimistas, com grande carga autobiográfica. A pintura passa a ser um escape para a adolescente.

Uma existência improvável

Durante a sua vida, Frida passou por mais de 30 cirurgias; seus longos períodos de convalescência trouxeram inúmeras consequências psicológicas, assim como o uso permanente de coletes ortopédicos para corrigir a postura. 

Casa Azul hoje em dia é um museu / Crédito: Laura Wie

Por conta do acidente, que perfurou os órgãos genitais, ela sofreu três abortos espontâneos. Além disso, no último período de vida, teve que amputar a perna direita logo abaixo do joelho por causa de uma gangrena. Em 1954 ela morre por conta de todas estas complicações de saúde.

"Diego y yo" de Frida Kahlo / Crédito: Divulgação / Youtube / faz

Um legado para o mundo 

A inauguração do Museu Frida Kahlo, ou Casa Azul, em 1958, foi um esforço pessoal de seu marido, Diego Rivera. O muralista havia pago grande parte da hipoteca da casa nos anos 1930, por conta da diminuição de poder aquisitivo do pai de Frida, que perdeu seu contrato com a administração pública, além de ter que arcar com as extensas despesas médicas da filha.

Casa Azul, residência de Frida Kahlo / Crédito: Laura Wie

A residência se tornou a base do casal na Cidade do México, uma vez que, apesar das questões de saúde dela, eles conseguiram viajar e passar temporadas fora do país. E juntos, eles decidiram trazer mais vida e cor à casa, decorando vários cômodos com artesanato mexicano, além de aumentar o jardim, que ficou mais verde e frondoso.

Durante o casamento, arte vai brotando dentro daquelas paredes e é a soma de todas estas sensações que vi e senti durante a minha visita à Casa Azul, que eu quero compartilhar agora, em meu depoimento neste podcast. Espero que você consiga se transportar para o mundo azul de Frida Kahlo!

Ouça o segundo episódio: 


"Apresentada pela Aeromexico, a única que voa do Brasil ao México no confortável Boeing Dreamliner"