House of Gucci: Como foi solucionado o assassinato reproduzido no filme?

Saiba mais sobre o crime real que deu vida ao filme protagonizado por Adam Drive e Lady Gaga

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/11/2021, às 17h28 - Atualizado em 29/11/2021, às 16h25

Lady Gaga e Adam Driver em cena de 'Casa Gucci' (2021)
Lady Gaga e Adam Driver em cena de 'Casa Gucci' (2021) - Divulgação / MGM

Na próxima quinta-feira, 25 de novembro, “Casa Gucci” será oficialmente lançado em território brasileiro. Estrelando Lady Gaga e Adam Driver, a obra conta um episódio real, um dos acontecimentos mais sombrios da história da moda: o assassinato de Maurizio Gucci, em 1995.

Inspirado no livro “Casa Gucci: uma história de glamour, ganância, loucura e morte”, escrito pela americana Sara Gay Forden, que passou mais de 15 anos pesquisando sobre o crime, o filme tem recebido atenção da imprensa.

No entanto, a Gucci, que é, atualmente, uma das maiores grifes do mundo da História, conseguiu superar o assassinato de Maurizio, tanto que não são muitos que lembram de toda a história, especialmente como encontraram os responsáveis pelo homicídio.

Em 31 de janeiro de 1997, depois de dois anos de busca, cinco pessoas foram presas e sentenciadas como as arquitetas da morte de Gucci, sendo uma delas Patrizia Reggiani, a ex-mulher do herdeiro da casa de moda.

Primeiro… o que foi que aconteceu com Maurizio Gucci?

“Era uma adorável manhã de primavera, muito quieta. O Sr. Gucci chegou carregando algumas revistas e falou bom dia", narrou Giuseppe Onorato, porteiro e a única testemunha do assassinato, que ocorreu em 27 de março de 1995, ao The Guardian.

No saguão do prédio Via Palestro 20, um dos endereços mais luxuosos do mundo da moda em Milão, Maurizio Gucci, único integrante da família envolvido na marca, foi assassinado a sangue frio — e Onorato presenciou tudo, sendo até mesmo baleado.

Eu vi uma mão. Era uma mão linda e limpa, e estava apontando uma arma. Eu pensei que era uma piada. Depois, o atirador me viu, ele levantou a arma e atirou duas vezes. 'Que pena', eu pensei, 'É assim que eu morro'", relatou.

Os dois tiros em Giuseppe Onorato atingiram seu braço, mas, ele carregou o corpo de Maurizio, após a fuga do assassino, e o levou à escada na frente do prédio e ficou sentado, em meio a uma poça de sangue, seu e de Gucci, até a polícia chegar.

Segundo a autópsia da época, o herdeiro da casa de costura foi atingido por quatro balas, no entanto, a que o matou foi a última, em sua têmpora, resultando em traumatismo craniano e o infeliz falecimento do último Gucci envolvido com a marca aclamada.

As costuras da investigação

Logo depois do assassinato de Maurizio Gucci, a carabinieri, a polícia italiana, dedicou-se completamente à investigação de um dos crimes mais intrigantes do universo da moda. Como um herdeiro de uma família tão rica e influente é morto a sangue frio e a luz do dia, e o criminoso consegue fugir?

Nos primeiros momentos, os investigadores tinham suspeitas de quem organizou o crime, que, por sua vez, envolvia a pessoa que seria descoberta como a responsável, a ex-mulher de Gucci, Patrizia Reggiani.

Todavia, Reggiani, que se casou com Maurizio Gucci em 1973 e finalizou seu divórcio com ele em 1994, foi descartada como uma possível arquiteta do crime, sob a explicação de que, com base em tudo que a polícia tinha, Patrizia não tinha nenhuma conexão com o assassinato. Como consequência, a família Gucci e máfia italiana logo se tornaram alvo.

Foto de prisão de Patrizia Gucci em 1997 - Foto: Wikimedia Commons 

 

Pouco tempo antes da morte, Maurizio havia articulado estratégias para tirar todos os seus parentes da administração da casa de costura e, em 1993, vendeu a grife para a empresa Investcorp, o que, aos olhos da polícia, podia ter incomodado a família. Mas, quem ficou realmente desconcertada com a venda foi Patrizia, que sentia-se parte da Gucci. 

Em 1997, no entanto, a situação mudou: Gabriele Carpanese, amigo de um dos envolvidos no assassinato, ligou anonimamente para a polícia e revelou o plano inteiro, colocando Reggiani e mais quatro pessoas no foco da carabinieri.

Com um policial se disfarçando como traficante e grampeamento dos telefones de todos os envolvidos, foram presos Patrizia Reggiani, sua amiga, Pina Auriemma, que entrou em contato com os criminosos, Ivano Savioni, quem apontou o assassino, Orázio Cicala, o motorista da fuga, e Benedetto Ceraulo, o homem que matou Gucci.

Conseguindo declarações oficiais de todos envolvidos sobre o envolvimento no homicídio, a polícia capturou todos e solucionou o caso, com sentenças variando entre 29 e 25 anos. 

Na madrugada de 31 de janeiro de 97, foi feita a última prisão: a de Patrizia Reggiani. No momento que os policiais bateram na sua porta, a ex-socialite abriu, voltou para dentro para pegar seu casaco de pele, joias e uma bolsa da Gucci. Depois, soltou uma declaração que mostrava que sabia o que estava acontecendo.

“Vocês vieram por causa do meu marido, não é?”, perguntou no momento de sua captura.

Mesmo que nunca tenha revelado o real motivo do crime, muitos suspeitam que a venda da companhia foi o incentivo da ex-esposa.