O código de Newton: o lado religioso do físico

Manuscritos do cientista revelam seu esforço para interpretar sinais ocultos na Bíblia

Rodrigo Cavalcante Publicado em 28/11/2016, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Retrato de 1689, quando ele tinha 46 anos
Retrato de 1689, quando ele tinha 46 anos - Godfrey Kneller, 1689

Na escola, qualquer estudante sabe que as leis de Newton, como as que regem a gravidade e o movimento dos astros, provocaram uma revolução científica na explicação do movimento dos corpos celestes. Duzentos e oitenta anos após sua morte, uma exposição na Biblioteca Judaica da Universidade de Jerusalém, em Israel, revelou que o britânico também tinha outro tipo de preocupação celestial.

Os manuscritos expostos mostraram ao público, pela primeira vez, o lado religioso de Newton. Isso mesmo: o homem que tratou sobre a lei da gravidade usou seu gênio, quem diria, para tentar decifrar as escrituras religiosas. Em um trecho dos manuscritos – que até pouco tempo atrás só podiam ser vistos por historiadores e especialistas –, Isaac Newton se esforça para calcular a data do Apocalipse a partir da leitura do livro de Daniel, na Bíblia. De acordo com seus cálculos, o fim do mundo não deveria ocorrer antes do ano 2060. Em outro manuscrito, ele tenta interpretar as profecias bíblicas para calcular exatamente quando Jesus retornaria a Jerusalém.

Newton buscou sinais ocultos até na planta do Templo de Jerusalém. “Ele acreditava que havia um tipo de conhecimento perdido no passado que poderia ser decifrado a partir do estudo de detalhes como as dimensões de um templo”, disse Yemina Bem-Menahm, uma das curadoras da exposição, para o USA Today.

Não havia, porém, nenhuma contradição na relação que Newton tinha tanto com a fé quanto com a física. Os historiadores sabem que na época em que ele nasceu, em 1642, ciência, matemática, magia e religião andavam de mãos dadas. Só no fim do século 18, com o Iluminismo, os campos começaram a se separar. Como escreveu, com certo exagero, o economista britânico John Maynard Keynes em 1936, após ter acesso aos escritos do cientista: “Newton não foi o primeiro da Idade da Razão. Foi o último dos mágicos”.

Newton, o Mago

Sobre o fim do mundo

“Ele deve ocorrer mais tarde (que 2060), não vejo razão para que termine antes.”

Sobre o retorno de Jesus

“(O fim dos dias) verá a ruína das nações pecadoras, o fim dos choros e de todos os problemas, o retorno dos judeus cativos e a preparação para o florescimento de um reino eterno.”