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Personagem / Elvis Presley

If I Can Dream: Como Elvis lidou com o assassinato de Martin Luther King?

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Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 13/07/2022, às 16h09 - Atualizado em 17/07/2022, às 15h00

Cena de If I Can Dream ('68 Comeback Special) - Divulgação/YouTube/Elvis Presley
Cena de If I Can Dream ('68 Comeback Special) - Divulgação/YouTube/Elvis Presley

O dia 4 de abril de 1968 está marcado para sempre na história dos Estados Unidos. Afinal, naquela data, na varanda do segundo andar do Lorraine Motel em Memphis, Tennessee, Martin Luther King Jr. foi morto a tiros por um atirador

Com 39 anos na época, King havia se tornado um dos principais representantes dos direitos civis dos negros, lutando para transformar as injustiças econômicas e sociais que há anos eram negligenciadas politicamente não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. 

Como ativista, um dos grandes momentos da trajetória de Martin Luther King Jr. é, sem dúvida alguma, a Marcha sobre Washington em 28 de agosto de 1963, quando mais de 250.000 pessoas se reuniram em frente ao Lincoln Memorial para protestar contra a segregação e o fanatismo. Na ocasião, o líder fez seu icônico discurso “I Have a Dream”.

Martin Luther King Jr. em discurso em 1967/ Crédito: Sociedade Histórica de Minnesota via Wikimedia Commons

Nos meses seguintes, embora cada vez mais um número de jovens e militantes tenham ficado frustrados com a cautela de King, ele manteve com seu compromisso de continuar protestando de forma não-violenta. Um dos marcos de sua luta. 

Após seu assassinato, milhões de pessoas prestaram homenagem à sua coragem, determinação e eloquência. Uma dessas pessoas foi Elvis Presley, que gravou a canção “If I Can Dream”. 

De volta ao show

Como mostrado na cinebiografia “Elvis”, de Baz Luhrmann, que estreia nos cinemas brasileiros amanhã, 14, naquele ano, o Rei do Rock preparava seu retorno triunfante à indústria musical. 

Dez anos antes, em 1958, Presley havia se alistado ‘voluntariamente’ ao Exército dos Estados Unidos, onde permaneceu por dois anos. Após seu retorno, porém, seu empresário, o coronel Tom Parker, decidiu explorar a imagem de Elvis por Hollywood. 

Nos oito anos seguintes, o músico passou a estampar seu rosto por diversos filmes, alguns um tanto quanto contestáveis, é verdade, mas o fato é que a nova carreira deixou Elvis cada vez mais longe dos palcos. 

Seu retorno à TV aconteceria em um especial de fim de ano, o Elvis' Singer Special (mais tarde conhecido como '68 Comeback Special), que foi filmado em junho. De início, o show estava programado para terminar com Elvis cantando “I'll be Home for Christmas”.

Mas tudo mudou quando o senador Robert Francis Kennedy, que apoiava fortemente os direitos humanos e a justiça social, foi morto em 6 de junho daquele ano. 

"Estávamos em meu escritório quando Bobby Kennedy foi assassinado, então tivemos muito tempo para conversar sobre questões sociais”, recordou o diretor do especial, Steve Binder, ao The Express. 

Depois de ver as notícias sobre a morte de Kennedy na TV, Elvis passou uma noite inteira com Binder e seus amigos, falando sobre os assassinatos e os desejos do músico para o mundo. 

A conversa foi sincera e honesta, e Binder acreditava que Elvis tinha uma mensagem importante para o país. Desse modo, ele pediu ao compositor Walter Earl Brown para escrever "a melhor música que ele já compôs", com base nas conversas políticas que teve com o Rei do Rock

Steve queria uma música poderosa e significativa que encerrasse o especial de TV. "Quando eu montei aquele show, era uma equipe das Nações Unidas — um coreógrafo porto-riquenho, coreógrafo negro, todos vieram de diferentes credos, religiões e países. E não vi nenhum sinal de preconceito e queria transmitir essa mensagem mais do que qualquer coisa”, continuou. 

Se você quer conhecer os pensamentos e a filosofia de Elvis, Earl Brown acertou em cheio nas letras", aponta. 

"Se eu puder sonhar com uma terra melhor /Onde todos os meus irmãos andam de mãos dadas /Diga-me porque meu sonho não pode se tornar realidade / Deve haver paz e compreensão algum dia /Fortes ventos de promessa que irão soprar /A dúvida e o medo /Se eu posso sonhar com um sol mais quente /Onde a esperança continua brilhando para todos”, diz trecho da canção.

A performance

Em 23 de junho de 1968, Elvis gravou "If I Can Dream" em vários takes apaixonados, embora se diga que o primeiro deles foi perfeito. O Rei do Rock fez uma performance tão poderosa que alguns membros da banda ficaram surpresos e tão impressionados que tiveram que fazer várias refilmagens.

Depois que todos foram para casa, segundo matéria no site da mansão Graceland, Elvis fez uma apresentação ainda mais surpreendente ao regravar os vocais. Com as luzes apagadas, ele se entregou completamente à música, caindo de joelhos no chão em algumas cenas. 

Depois da gravação, Elvis foi para a sala de edição e fez sua tomada preferida ser tocada repetidamente antes de dar sua ‘bênção’ ao show. O cantor ficou tão emocionado com a música e sua experiência com ela que disse a Binder: "Nunca vou cantar outra música em que não acredite. Nunca vou fazer outro filme em que não acredite".

Elvis Presley em sessão de fotos/ Crédito: Pixabay

Steve Binder e Elvis Presley foram capazes de superar Parker e, pela primeira vez, o Rei do Rock conseguiu cantar o que ele queria cantar. Não à toa, o especial se tornou um símbolo da cultura pop e “If I Can Dream” alcançou o 12° lugar na Billboard Hot 100, além de permanecer no ranking por 13 semanas.