A morte de John Kennedy

Um passo a passo do último dia do presidente e as dúvidas e mistérios de seu assassinato

segunda 23 outubro, 2017
Retrato póstumo de John F. Kennedy, na Casa Branca
Retrato póstumo de John F. Kennedy, na Casa Branca Foto:Wikimedia Commons

John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente americano, foi morto a tiros em Dallas, no Texas, às 12h30 de 22 de novembro de 1963 – e estes são os únicos fatos sobre o assassinato dos quais ninguém discorda. A Comissão Warren, responsável pela investigação, apressadamente apontou Lee Harvey Oswald como autor solitário do crime, o que só fez aumentar as teorias da conspiração.

A viagem a Dallas era parte da pré-campanha pela reeleição de 1964. JFK e a primeira-dama, Jacqueline, chegaram ao aeroporto às 11h40. De lá, seguiram em carreata para o centro da cidade – um reduto republicano, que não contribuíra para a vitória do democrata Kennedy em 1960. O governador local, John Connally, e o vice-presidente, Lyndon Johnson, integravam a comitiva. No carro, a esposa do governador, Nellie, observou o grande público e disse: “Senhor presidente, não se pode mais falar que Dallas não o ama”. Ele respondeu: “Me parece bastante óbvio”. Logo depois, o alfaiate Abraham Zapruder registrou o assassinato com uma câmera de 8 milímetros. 

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Do pronto-socorro à morte

Imediatamente após os tiros, o agente Roy Kellerman, do serviço secreto, exigiu que o chefe de polícia local, Jesse Curry, liberasse o trânsito nos 6,5 quilômetros que separavam o local do atentado até o Parkland Hospital. Outro agente subiu no porta-malas para colocar Jackie de volta a seu assento e proteger o casal.

12h38

Kennedy chega ao hospital e é atendido por uma equipe médica que já havia sido avisada pelo Departamento de Polícia. Ele não apresenta sinais de pulsação.

12h43

Além do ferimento na cabeça, os médicos acham mais um, com menos de 1 cm, na parte inferior do pescoço – na pressa, não percebem que há outro buraco nas costas.

12h47

A equipe insere um tubo pela garganta para facilitar a respiração. Nenhuma das medidas dá resultado e a atividade cardíaca cessa completamente.

13h Kennedy é declarado morto. Lyndon Johnson é levado ao avião presidencial. É lá que, às 14h38, ele fará o juramento como 36º presidente americano.

 

Vítima e testemunha

John Connally

A primeira bala que atingiu Kennedy teria sido a mesma que perfurou o tórax, o punho e a perna do governador do Texas. Connally conseguiu se virar para olhar JFK antes de se deitar sobre o peito da esposa. No hospital, foi submetido a uma cirurgia de emergência e sobreviveu.

Jacqueline Kennedy

Boa parte do público texano estava lá só por causa da bela primeira-dama. Jackie viu a cabeça de Kennedy explodir a centímetros de seu rosto e, em pânico, saltou engatinhando sobre o porta-malas. No vídeo de Zapruder, ela parece tentar resgatar um pedaço do crânio do marido.

Lee Harvey Oswald Ex-fuzileiro naval e comunista, Lee tinha 24 anos e trabalhava no sexto andar do Depósito de Livros Didáticos do Texas. De lá teria disparado, em seis segundos, três tiros com um rifle Mannlicher-Carcano comprado pelo correio. Foi preso às 13h45 e assassinado dois dias depois.


A Bala Mágica
Três tiros e muitas dúvidas 

O segundo tiro é uma das perguntas sem resposta sobre o atentado. O projétil teria entrado pelas costas de Kennedy, atravessando uma vértebra e sua garganta. A seguir, teria acertado o governador Connally, sentado no banco dianteiro, no ombro e na munheca, até se alojar em sua perna esquerda. A bala supostamente responsável pelos ferimentos, chamada de“evidência 399”, está quase em perfeito estado, apesar dos impactos que teria sofrido. O Segundo Atirador Há quem acredite que havia outro atirador atrás de uma cerca. Vídeos do dia do atentado mostram vultos e fumaça no local e bitucas de cigarro foram encontradas lá. A idéia é reforçada pela trajetória improvável da “bala mágica” e pelo movimento de Kennedy ao ser atingido pela segunda vez: sua cabeça vai para trás e para a esquerda – uma bala disparada por Oswald teria vindo por trás e projetado sua cabeça para a frente.

Ricardo Giassetti | 07/2006


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