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É verdade que Michael Rockefeller, um dos homens mais ricos do mundo, foi devorado por canibais?

O herdeiro desapareceu no início da década de 60 e diversas teorias cercam o ocorrido. No entanto, o caso nunca foi solucionado

Vinícius Buono Publicado em 28/07/2019, às 10h00

Rockefeller em sua primeira viagem à Nova Guiné
Reprodução

Michael Clark Rockefeller era um membro da famosa família Rockefeller, talvez a mais poderosa da história dos Estados Unidos. No entanto, ele ficou famoso por uma triste história: em 1961, com apenas 23 anos, desapareceu na Nova Guiné Holandesa (hoje Indonésia) enquanto estudava e coletava arte da tribo de Asmat, uma comunidade isolada que habita a região até hoje.

Seu bisavô, John D. Rockefeller, fundador da petrolífera Standard Oil, foi um dos homens mais poderosos do mundo. Pesquisadores avaliam que, se a empresa não tivesse sido dissolvida por uma lei antitruste, valeria mais de um trilhão de dólares nos anos 2000. Seu pai atuou como governador do estado de Nova York e vice-presidente dos Estados Unidos durante o mandato de Gerald Ford.

Dinheiro nunca foi problema para os membros da família, o que permitiu que Michael saísse, ao se formar em História e Economia pela Universidade de Harvard, em busca de aventuras. Entusiasta da etnologia e da antropologia, participou de expedições e documentários que visavam estudar as diversas tribos isoladas que habitavam a Nova Guiné Holandesa.

Crédito: Reprodução

 

Numa dessas expedições, em 1961, ele e um antropólogo holandês, René Wassing, estavam a bordo de uma canoa de 12 metros a aproximadamente cinco quilômetros da costa, quando o barco que usavam como base naufragou. Os dois guias, que estavam com eles, buscaram ajuda nadando.

Michael e Wassing ficaram à deriva na pequena embarcação por dois dias, até que o americano, cansado de esperar por socorro, resolveu nadar até a costa. Ele nunca mais foi visto, enquanto o antropólogo foi resgatado no dia seguinte.

A estranha circunstância que envolve a morte de Rockefeller, junto com o fato de que seu corpo nunca foi encontrado, criaram rumores que sobrevivem até os dias atuais. Embora a tese mais aceita seja a de que ele se afogou (a canoa estava a cerca de 20 quilômetros da costa) ou foi atacado por tubarões ou crocodilos de água salgada, alguns relatos instigam a imaginação de inúmeras pessoas. 

Em 1968, o jornalista Milt Machlin foi para a ilha com o objetivo investigar o desaparecimento de Michael. Logo derrubou o rumor e afirmou que ele estaria vivendo como um deus entre os nativos, mas seu relato conta sobre evidências de que ele teria chegado à costa e sido morto no vilarejo Otsjanep, habitado pelos Asmat (eram canibais, àquela altura), como vingança aos assassinatos de alguns líderes indígenas por uma patrulha holandesa alguns anos antes. 

O aventureiro em uma de suas expedições / Crédito: Reprodução

 

Há ainda a corroboração de Tobias Schneebaum, artista e antropólogo que viveu por anos entre tribos canibais do Peru e do Sudeste Asiático. Ele relata em seu livro que conversou com índios Asmat e eles admitiram que encontraram Rockefeller e sacrificaram o seu corpo.

Também é sabido, que a mãe de Michael pagou uma enorme quantia a um investigador particular, e especula-se que ele tenha trazido três crânios, dados a ele pelos nativos como escambo, sob a alegação de que aqueles eram os únicos homens brancos que a tribo havia matado. A família Rockefeller nunca se pronunciou sobre o rumor.

Em 2014, mais de meio século depois, o jornalista americano Carl Hoffman publicou um livro acerca de suas investigações sobre o caso. Ele considera a obra de Milt Machlin  importante para a contestação da versão oficial (de que Michael teria se afogado), e grande parte dos testemunhos, coletados por Hoffman em suas inúmeras viagens ao local, corroboram a versão de que o bilionário teria sido comido pelos nativos como um ato de vingança. No entanto, logo em seguida, o vilarejo poderia ter sido acometido por uma epidemia de cólera, e os indígenas entenderam como retribuição divina por terem matado Rockefeller.

Quando deixou as ilhas pela última vez, Hoffman gravou um Asmat afirmando que ele não poderia contar aquela história sob qualquer circunstância. Caso contrário, Hoffman e todo o “seu povo” morreria.

Há ainda uma terceira teoria, baseada num filme feito sobre o livro de Machlin, de que o herdeiro teria sobrevivido e vivia tranquilamente entre os nativos. É especulado que essa versão foi contada por um aventureiro australiano, e alguns rápidos frames mostram um homem velho e branco vivendo na tribo, usando, inclusive, as vestimentas características. Todavia, o caso nunca foi solucionado de fato.