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Estudo indica desigualdades sociais e econômicas em comunidades de 6 mil anos

Na Polônia, uma equipe internacional de arqueólogos identificou singularidades em sepultamentos antigos

Giovanna de Matteo Publicado em 04/08/2020, às 10h15

Um dos esqueletos analisados
Um dos esqueletos analisados - Divulgação

Foi identificado na cidade de Osłonki, na Polônia, que algumas pessoas eram enterradas com artefatos mais valiosos do que outras. No entanto, os pesquisadores não tinham certeza se essa singularidade na morte era refletida numa desigualdade em vida.

Para investigar o caso, o Dr. Chelsea Budd, da Universidade de Umeå, na Suécia, e uma equipe internacional de pesquisa arqueológica, examinaram isótopos estáveis ​​de diferentes enterros em Osłonki. Esses isótopos são elementos químicos que variam de acordo com a dieta do esqueleto estudado.

Os resultados publicados na revista Antiquity revelaram que os isótopos de pessoas que foram enterradas com artefatos valiosos e de cobre - um material exótico que seria importado a grande distância - indicam que eles provavelmente tiveram maior acesso ao gado que vivia em pastagens de alta qualidade. 

Seguindo esse dado, os pesquisadores acreditam que essas pessoas tiveram uma riqueza maior em vida. Além disso, como nessa época as terras agrícolas eram na maioria das vezes herdadas, aumenta a possibilidade de que essa desigualdade seja multigeracional.

O Dr. Chelsea Budd afirma que essa pesquisa tem testemunhado desigualdades sociais e econômicas em comunidades primitivas de 6.600 anos, em um período muito anterior ao que era conhecido desde então.

"Descobrimos algumas das primeiras evidências de uma ligação direta entre status social e dieta de longo prazo na Europa pré-histórica", explicou Budd. "Estamos testemunhando o surgimento de desigualdade social e econômica nas comunidades pré-históricas primitivas - os 'ricos' e os 'pobres' - em um período muito anterior ao que pensávamos."