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10 anos sem Michael Jackson: A História o absolverá?

Ao iniciar a sua carreira com apenas 5 anos de idade, Jackson tornou-se o símbolo máximo da música pop. Entretanto, polêmicas transformaram a sua vida num verdadeiro circo midiático

Thiago Lincolins Publicado em 25/06/2019, às 00h00

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- Crédito: Reprodução

Na década de 70, um grupo formado por 5 jovens roubou o cenário musical dos EUA. Composto por Jackie, Tito, Jermaine, Marlon, Randy e Michael, o pai, Joseph Jackson notou que o talento de seus filhos, mais tarde apelidados The Jackson 5, poderia resultar em algo grande. E não estava errado.

O primeiro álbum do grupo, Diana Ross Presents the Jackson 5, foi lançado em dezembro de 1969 e o single I Want You Back, se tornou um dos maiores hits dos Estados Unidos. Com o passar do tempo, o grupo se destacaria ainda mais com os sucessos “ABC”, “The Love You Save” e "I'll Be There".

O grupo em sua estreia / Crédito: Reprodução

 

Entretanto, o pequeno Michael, que se juntou a banda com apenas 5 anos, chamaria mais atenção que os seus irmãos. Com um grande alcance vocal para uma criança, ele roubou os holofotes do mundo inteiro: antes mesmo do grupo se separar em 1984, o jovem cantor fazia mais sucesso que os The Jackson 5.

Em carreira solo, o mais jovem dos irmãos fez números impressionantes. Got To Be There, álbum de estreia de Michael Jackson, vendeu mais de 3,2 milhões de cópias ao redor do mundo. O disco também levou o cantor para o top 10 da Billboard Hot 100 com o single Got To Be There e a música Rockin 'Robin. Mas era só o começo.

Com Of The Wall, seu quinto álbum de estúdio, Jackson se tornou o primeiro artista solo a ter quatro singles do mesmo álbum dentro do top 10 da Billboard Hot 100. Além do sucesso comercial, o disco também resultou na conquista do primeiro Grammy de Michael na categoria Melhor Vocal de R&B.

O ápice do cantor aconteceu em 1979, após o lançamento do álbum Thriller. Em pouco mais de 1 ano, o álbum se tornou o mais vendido do mundo com 66 milhões de cópias. O disco também revolucionou a indústria musical.

Durante as gravações do clipe de Thriller / Crédito: Reprodução

 

Foi um dos primeiros a utilizar vídeos para divulgar o material e colocou Michael no patamar de “rei do pop”. Todavia, uma das figuras mais influentes do século 20 teve que lidar com polêmicas.

Em 1993, Evan Chandler, um dentista, acusou o astro de abusar sexualmente de seu filho de 13 anos, Jordan Neil Chandler. A criança e Michael haviam se conhecido em 1992 e a mídia afirmava que ele era praticamente da “família”. Ao tentar resolver o escândalo fora dos tribunais, o seu advogado ofereceu a família do menino 22 milhões de dólares.

O valor foi recusado e perante a opinião pública, a tentativa era praticamente Michael assumindo a culpa - ele também perdeu inúmeros contratos publicitários. No entanto, o astro do pop foi absolvido durante o julgamento. Isso porque Jordan não prestou depoimento e não foram encontradas provas que sustentassem a acusação.

Em 2003, a situação se repetiria e tomaria proporções catastróficas. No documentário Living With Michael, o cantor afirmou que faria uma festa do pijama e não via problema em “dormir” com crianças. A mãe de um garoto envolvido no episódio afirmou que Jackson havia se comportado de maneira inadequada com o menino.

Uma das performances da aclamada History Tour / Crédito: Reprodução

 

Alvo de uma investigação criminal, o cantor foi preso em novembro após sete acusações de abuso sexual e duas de dar bebidas alcoólicas ao garoto. Durante o julgamento, que durou até maio de 2005, Michael foi novamente inocentado e retirou-se da vida pública.

Com a reputação destruída e inúmeras dívidas, Jackson teve sua saúde debilitada. Não à toa, neste dia, em 2009, o cantor faleceu como consequência de uma intoxicação aguda por propofol. A perícia também aponta uma overdose letal após um coquetel de medicamentos, incluindo sedativos.

Entre 2013 e 2014, novas acusações transformaram a vida póstuma do cantor em um circo midiático. Wade Robson e James Safechuck, alegaram ter sido abusados ​​sexualmente pelo cantor na infância. A história foi contada no documentário Leaving Neverland, lançado em 2019 pelo canal HBO. 

Quando questionada sobre a polêmica produção, a cantora Madonna levantou um ponto importante em entrevista à Vogue. "Eu acho que seria uma recontagem dos eventos reais - mas, é claro, as pessoas às vezes mentem. Então eu sempre digo, ‘o que as pessoas querem com isso?” afirmou o ícone pop. "Há pessoas pedindo dinheiro, existe algum tipo de extorsão acontecendo? Eu levaria todas essas coisas em consideração”.

Vigília feita pelos fãs após a morte do cantor em 2009 / Crédito: Reprodução

 

Uma vez que o astro do pop foi inocentado das acusações de pedofilia, a família decidiu tomar medidas legais contra os responsáveis pela produção da obra cinematográfica.

Ao mesmo tempo, rádios promovem boicote às músicas do cantor e as icônicas estátuas de divulgação do álbum History, exibidas em diversos países, já não causam mais a mesma sensação de grandeza. Em contrapartida, o seu legado permanece.