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A 10 dias de morrer: o relacionamento infernal de Alex Skeel

Jordan Worth foi a primeira mulher a ser condenada por "controle coercitivo" no Reino Unido. Ela teria torturado Alex ao extremo, usando garrafas de vidro, martelos e água fervente

Ingredi Brunato Publicado em 01/11/2020, às 10h00

Alex durante entrevista
Alex durante entrevista - Divulgação/Youtube

Em 2018, o Reino Unido teve sua primeira mulher condenada por controle coercitivo. Jordan Worth, de 22 anos, infligiu abuso psicológico e físico no seu namorado, Alex Skeel, de mesma idade, durante a maior parte do relacionamento de seis anos. Quando os policiais conseguiram fazer o jovem falar sobre o pesadelo que vivia em casa, ele estava a dez dias de sua morte, segundo determinaram médicos mais tarde. 

Isso porque estava extremamente desnutrido, e apresentava extensas queimaduras de terceiro grau ao longo dos braços e pernas, além de outros machucados. A pele queimada teria sido tratada em casa, coberta por filme plástico, porque Jordan não o deixava ir para o hospital

A progressão do abuso  

“Naqueles primeiros meses, estava tudo bem. Nós nos divertíamos muito juntos e fazíamos programas corriqueiros, como assistir a filmes e sair para passear.”, contou Alex em entrevista à BBC em 2019. 

Os primeiros sinais do relacionamento tóxico apareceram quando a moça dizia que não gostava quando o namorado vestia roupas na cor cinza, ou preferia que ele não tivesse determinado corte de cabelo, comportamentos que por si só ainda poderiam ser interpretados como inofensivos.

Dentro de um ano, porém, Jordan tinha controle da conta do Facebook do rapaz, e o havia afastado de amigos e família. Então, veio à violência doméstica. No início, ela deixava uma garrafa de vidro na cabeceira da cama, e batia aleatoriamente em Alex, muitas vezes quando ele estava dormindo. Depois, perguntava: “O que você está pensando?”

Fotografia dos dois juntos - Crédito: Divulgação 

 

Quando ele se acostumou com a dor, ela passou a usar um martelo. Também criou o hábito de jogar água fervendo na pele do namorado, que era a causa de suas queimaduras de terceiro grau. Logo, as agressões tornaram-se rotineiras, e ela arremessava nele qualquer objeto que estivesse por perto. 

“Ela começou com coisas pequenas, batendo em mim com os punhos, e aí gradualmente foi piorando… com martelos, garrafas, qualquer coisa. E aí foi para facas”, revelou Skeel ao Daily Mail em 2018.

A ruptura 

E, de fato, a jovem abusiva estava prestes a causar a morte de Alex: “Eu podia sentir meu corpo definhando. Perdi 31 kg. Mais tarde, os médicos me disseram que cheguei muito perto de morrer porque fui privado de comida por muito tempo e meus ferimentos eram muito sérios.”

Ele explicou que continuou com a garota porque eles tinham dois bebês juntos. Assim, o rapaz tinha medo que as crianças também fossem abusadas por Jordan quando ele não estivesse por perto. Para piorar, o garoto não conseguia imaginar uma saída para a situação, mesmo que soubesse que o que ela fazia era errado. Era apenas mais um dos impactos psicológicos do terror que estava vivendo. 

Radiografia mostrando um dos dentes de Alex, que foi quebrado durante o período - Crédito: Divulgação 

 

Um dia, porém, quando os vizinhos chamaram a polícia após se depararem com gritos na casa onde eles moravam (o que acontecia com frequência, mas por medo do que a namorada faria, Alex sempre dizia que tivera um acidente), um dos oficiais percebeu o estado abatido do jovem, e o levou consigo para seu carro. Na privacidade e segurança daquele ambiente, pediu que o rapaz contasse a verdade - e ele contou. 

Depois de tudo 

Jordan Worth se declarou culpada dos crimes em tribunal, e foi condenada a sete anos e meio de prisão pela tortura física e psicológica a que tinha submetido seu parceiro.

Alex, foi redescobrir a vida sem a sombra da namorada abusiva o espreitando. Conforme explicou o jovem, a ex-namorada foi responsável por exterminar tudo de positivo que ele vivia, assim, ele passou a buscar apoio em instituições e também pensa em ajudar outros homens que vivem o mesmo inferno. 


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