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10 grandes incêndios destrutivos em edifícios históricos

Conheça 10 casos em que patrimônios da humanidade foram consumidos pelo fogo

André Nogueira Publicado em 16/04/2019, às 13h03

Incêndio do Museu Nacional da UFRJ
Reprodução

Antes da Catedral de Notre-Dame, em Paris, outros prédios históricos muito importantes espalhados pelo mundo sofreram com incêndios bastante destrutivos que consumiram obras de valor inestimável. Conheça 10 casos!

1. Real Alcázar de Madrid (1734)

Esse importante castelo europeu era a sede do governo e moradia da Família Real da Espanha desde 1516, quando assumiu o reinado D. Carlos I. Pegou fogo durante a Noite de Natal em 1734, já no governo do rei Felipe V. A Corte espanhola estava comemorando as festividades em outro castelo, o Palácio Real de El Pardo, quando foi anunciado um incêndio de grandes proporções cujas origens eram desconhecidas. Apesar das tentativas, o fogo estava em proporções impossíveis de controlar, consumindo assim toda a estrutura do prédio, condenando-o somente à memória. Foram salvos apenas os objetos possíveis que estavam na capela, mas os quatro dias de incêndio transformaram o prédio em cinzas. Após o fim do fogaréu, foi construído no lugar o Palácio Real de Madrid, que sobrevive até hoje.

2. MAM Rio (1978)

Na madrugada de 8 de julho de 1978, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi tomado por um incêndio de proporções consideráveis. Levando cerca de três horas até conseguir ser controlado pelos bombeiros, o fogo consumiu cerca de 90% do acervo, incluindo diversas obras brasileiras, alguns Picassos e Mirós, além de exemplares de Matisse, Dali e Portinari. O incêndio começou no salão “Corpo e Som” num dia em que a sala foi usada como auditório para a apresentação de um grupo musical chileno que encerrava suas apresentações. Depois de controlado o fogo, percebeu-se o tamanho do estrago, que jamais seria revertido, pois as obras eram únicas e não havia um seguro para o acervo.

3. Museu Aeroespacial de San Diego (1978)

Esse museu dos EUA é um dos principais centros de divulgação da área de engenharia aeroespacial do mundo e sofreu, em 22 de fevereiro de 1978, com um incêndio criminoso que destruiu várias das obras em exposição. Causado por dois jovens, até hoje sem saber exatamente o porquê, o fogo atingiu diversas máquinas de modelo único que ficavam nos salões de aeronaves do museu, como a Beecraft Wee Bee e a Beecraft Queen Bee, considerados exímios exemplos da engenharia de aviões leves. Além delas, mais de 50 aeronaves foram destruídas pelo fogo, que foi controlado com certa velocidade. Estima-se que o fogo gerou um prejuízo de mais de 4 milhões de dólares ao museu na época.

4. Centro histórico de Lisboa (1988)

Na madrugada do dia 25 de agosto, em 1988, na região do Chiado da capital portuguesa, iniciou-se um poderoso incêndio que tomou o Centro Histórico da cidade e destruiu boa parte dos edifícios históricos da região. O fogo começou perto das 4h30 da manhã e os bombeiros só foram alertados da situação às 5h15, chegando poucos minutos depois no coração do incêndio. Porém, o fogo já tinha tomando a Rua do Carmo e atingido o centro de Armazéns do bairro. Em menos de 30 minutos, os edifícios históricos dos armazéns lisboetas já haviam sido tomados e completamente destruídos. O choque do desastre marcou o governo português, que gastou milhões com a restauração da região.

5. Castelo de Windsor (1992)

Em 1992, um enorme incêndio tomou os salões do castelo gótico de Windsor, Berkshire, na Inglaterra, que é moradia de membros da Família Real Britânica. O incêndio danificou mais de 100 quartos e salões -- e fez-se necessária uma reforma de mais de 5 anos para uma possível restauração. O incêndio ocorreu durante as comemorações do aniversário do Duque de Edimburgo, marido da rainha, no dia 20 de novembro, quando um holofote carregado por um operário atingiu uma cortina da Capela Privada da Rainha Vitória e iniciou o fogo. Cerca de 200 bombeiros usaram mais de 1,5 milhão de galões d’água para conter o fogo, mas os estragos foram devastadores. Foi possível salvar parte da Coleção Real e dos pertences do duque de York, que morava no edifício na época, mas boa parte do acervo interno do castelo foi consumida.

6. Prédio do Instituto Butantã (2010)

Num sábado, 15 de maio de 2010, a sede do Instituto Butantã, na zona Oeste de São Paulo, foi atingida por um enorme incêndio que tomou o prédio e os laboratórios de estudo de répteis que estavam lá. O fogo danificou um bom pedaço do acervo de biodiversidade de répteis, insetos e aranhas do prédio (80% do total), que estavam conservados em formol, além de parte do acervo de papeis do Instituto. O incêndio começou às 7h da manhã e foi controlado em apenas 3 horas. Concluiu-se que o incêndio foi causado pelo superaquecimento das “pedras de calor”, material usado na ambientação dos aquários das cobras do Instituto, que precisavam de aquecimento nos ambientes artificiais. Nenhum dos animais queimados estava vivo no início do incêndio e os animais com vida foram resgatados com segurança.

7. Museu da Língua Portuguesa (2015)

Um enorme incêndio tomou os três andares do Museu da Língua Portuguesa e de boa parte da estação da Luz, no complexo da Praça da Luz, no centro de São Paulo no dia 21 de dezembro de 2015, o que levou à morte de um bombeiro civil que trabalhava no prédio. Provavelmente iniciado por um incidente na fiação elétrica do primeiro andar do edifício, o fogo logo tomou os andares superiores e a Torre do prédio até ser controlado pelo Corpo de Bombeiros da cidade. O fogo atingiu boa parte do acervo do museu, o que inclui um tesouro composto de inúmeros papéis, muito suscetíveis a incêndios.

8. Museu de História Natural da Índia (2016)

O incêndio começou no último andar, atingindo outros três, em um edifício no centro de Nova Deli, na Índia, onde estava alocado o principal Museu de História Natural do país, atingindo o coração de seu acervo. Os danos foram irreparáveis e o fogo tomou rapidamente o espaço dos andares que atingiu. O prédio, pertencente à Federação das Câmaras de Comércio e Indústrias da Índia, teve o auxílio de 35 equipes de bombeiros que tentaram conter o andamento do fogo. O acervo atingido era composto de materiais relativos ao ensino de ecologia, conservacionismo, além de inúmeros exemplares de fósseis milenares guardados no último andar do prédio. O ocorrido fez necessária uma revisão dos sistemas de segurança de toda a rede de museus nacionais do país asiático.

9. Museu de Guerra de Chania (2018)

O Museu Naval de Chania, na ilha de Creta, Grécia, foi atingido por um grande incêndio em julho de 2018 e que tomou praticamente todo o edifício. Todo o acervo interno foi consumido e somente a fachada, datada de 1870 e construída por Macuzo sobreviveu ao fogo. A construção ficou famosa pois abrigou as tropas italianas durante a ocupação da Grécia na Segunda Guerra Mundial. Não havia exibições no prédio, pois tempos antes o acervo de fotografias e o material sobre revoltas populares nos Balcãs haviam sido transferidos para Atenas devido um terremoto que abalara a estrutura do museu. Porém, o incêndio foi devastador e levou à perda de todo um patrimônio da região.

10. Museu Nacional (2018)

Em 2 de setembro de 2018, em plena corrida presidencial no Brasil, o Museu Nacional, no Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, foi atingindo por um incêndio de proporções homéricas. O incêndio ocorreu após o encerramento do horário de visitação em um domingo e os bombeiros foram convocados às 19h30 deste dia, tentando conter o fogo que já atingia todos os andares do edifício, antiga morada dos Imperadores. A virada da noite foi marcada pelo descontrole do fogo e da tentativa da equipe do museu de salvar algumas das milhões de obras que estavam à mercê das labaredas. O teto desabou. A maior parte do acervo deste, que era o maior museu universitário do país, foi consumido pelo fogo e o banco de teses (o museu pertencia à UFRJ) foi completamente destruído, além de acervos de etnografia, antropologia, botânica, zoologia e outras áreas do conhecimento.