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10 histórias impressionantes de prisioneiros de guerra que conseguiram escapar de Auschwitz

Nos 75 anos da libertação de Auschwitz, conheça a narrativa de nomes que conseguiram se livrar dos horrores do campo da morte

Caio Tortamano Publicado em 27/01/2020, às 18h37

Entrada do campo de concentração
Entrada do campo de concentração - Getty Images

1. Eugeniusz Bendera

Bendera fez parte de uma das mais bem sucedidas fugas de Auschwitz. Decidiu fugir do local depois que soube, por meio de um informante, que seria executado em poucos dias. Conversou com Kazimierz Piechowski, membro da resistência e um escoteiro formado e, juntos, formaram um plano com outras duas pessoas.

Três dos fugitivos roubaram uniformes de oficiais nazistas, enquanto Bendera conseguiu duplicar uma chave de um dos carros mais velozes do campo (sua função como mecânico auxiliou muito nessa parte).  O veículo saiu pelo portão da frente e só parou em uma floresta polonesa.


2. Rudolf Vrba

Em 1942, Vrba foi enviado para o campo de concentração. Por falar alemão, foi designado para trabalhar no depósito do local, onde cuidava dos itens dos judeus assassinados. Dois anos depois, conseguiu se esconder em pilhas de madeira e fugiu durante a noite.

Rudolf Vrba / Crédito: Reprodução

 

Fugiu até a Eslováquia, e contou para os líderes judaicos do país os horrores de Auschwitz, tornando-se a primeira pessoa a dar relatos das atrocidades do local. O relatório foi enviado para os governos americanos e britânicos, além das lideranças judaico-húngaras, que não receberam a tempo de salvar a comunidade local.


3. Tadeusz Wiejowski

O sapateiro polonês foi a primeira pessoa a conseguir fugir do sádico campo de concentração. Sendo levado ao local na primeira leva de prisioneiros, em junho de 1940, Tadeusz escapou com a ajuda de cinco trabalhadores que eram funcionários do local.

Ele se disfarçou como um deles e saiu de Auschwitz. Livre, recebeu comida e dinheiro dos poloneses e fugiu para sua cidade natal. Todavia, história não terminou bem para nenhum deles: quatro dos benfeitores foram interrogados e mortos pelos nazistas, já Wiejowski foi encontrado e enviado para outro campo de concentração, onde foi executado.


4. Simon Gronowski

Quando tinha apenas 11 anos, Simon, sua mãe e irmã, foram colocados em um trem que se dirigia à Auschwitz quando um grupo de homens forçou a porta do vagão e o menino conseguiu escapar floresta adentro. Depois de vagar durante a noite, encontrou um policial disposto a ajudá-lo.

Simon Gronowski / Crédito: Getty Images

 

Foi enviado pelo oficial para Bruxelas, onde seu pai, que havia conseguido fugir dos nazistas, estava escondido. Os dois se encontraram e passaram a viver em casas de famílias católicas. Sua irmã e mãe, infelizmente, não tiveram a mesma sorte, e morreram no campo de concentração. Atualmente, o sobrevivente escreveu um livro e ministra palestras em escolas.


5. Jerzy Bielecki

Escapando em 1944, Bielecki foi um polonês católico que se apaixonou por uma jovem judia que trabalhava com ele na coleta e manuseio de grãos. Cyla Cybulska se interessou pelo rapaz, e os dois começaram a trocar correspondências quando acabaram se envolvendo romanticamente.

Jerzy Bielecki logo após sua fuga / Crédito: Reprodução

 

A fuga teve início quando Jerzy descobriu que Cyla seria morta. Com um uniforme nazista, uma autorização falsa e um documento que dizia que ele teria que levá-la para trabalhar em uma fazenda, fugiram do terrível local. Perto do fim da guerra, resolveram se separar para evitar uma possível recaptura, mas só viriam a se encontrar em 1983, acreditando anteriormente que cada um teria morrido, mas agora cada um com um parceiro diferente.


6. Herman Shine

Ao lado de seu amigo de infância, Max Drimmer, e o pedreiro polonês Jozef Wrona, os três fugiram de Auschwitz quando trabalhavam em uma obra fora do complexo. Esconderam-se dentro de uma vala, e depois andaram 16 km até a fazenda do polonês.

Herman Shine / Reprodução - Youtube

 

Durante quatro meses, se esconderam na fazenda até o exército alemão ser obrigado a recuar por conta dos soviéticos. Depois disso, encontraram o apoio de uma família na Polônia até o fim da guerra. Shine e Drimmer se mudaram para a Califórnia onde falavam sobre o Holocausto e grande trajetória de guerra.


7. George Ginzburg

Enquanto trabalhava em uma fábrica fora de Auschwitz, os nazistas se apavoraram com a aproximação soviética e forçaram 58.000 detentos do campo a marchar dois dias na neve para não serem libertos pelos russos. Nessa expedição, os alemães estavam enfraquecidos e Ginzburg percebeu isso.

Ele recolheu bitucas de cigarro e passou pelo corpo para não ser identificado por cães farejadores, e colocou embaixo de sua manta um graveto, como se fosse um rifle escondido.

Passando-se por um oficial nazista, pediu para um de seus supostos companheiros por um cigarro, ao que o guarda se distraiu dando tempo para a fuga de George. Enquanto vagava pela floresta, encontrou um soldado soviético morto e roubou sua farda, sendo acolhido por russos que viriam a encontra-lo pouco depois.


8. Witold Pilecki

Certamente, Pilecki foi a única pessoa que se voluntariou a ir pra Auschwitz e escapar. Membro da resistência polonesa, ele se ofereceu para ser preso e conseguir informações e elaborar relatórios que contaram como o local passou de uma prisão para um campo de extermínio.

Witold Pilecki durante seu julgamento / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fugiu com outros dois prisioneiros enquanto trabalhavam em uma padaria fora da prisão. Foi em busca dos membros da resistência de Varsóvia para tentar organizar um ataque ao campo e libertar os presos de guerra, todavia, não foi persuasivo o suficiente. Em 1947, depois da guerra, foi preso por autoridades comunistas da Polônia, interrogado, torturado e morto.


9. August Kowalczyk

Sua fuga se deu em com outros 50 prisioneiros. O grupo trabalhava em um campo aberto quando tentou simplesmente sair correndo para a liberdade. A maior parte deles, entretanto, não foi muito longe. Acabaram sendo executados no localo, apenas 9 sobreviveram, incluindo August.

Evidente que sua fuga foi louvável, porém, o mais interessante de sua história se deu nos anos seguintes à fuga. Depois da guerra, Kowalczyk se tornou um importante ator na Polônia, atuando tanto em filmes como em peças. Sua obra mais famosa foi um monólogo chamado Prisioneiro 6804, onde narra a sua própria fuga.


10. Jan Komski

Formado no Instituto de Arte de Cracóvia, pouco antes da guerra, foi pego pelos nazistas enquanto tentava fugir para a França. Em 1942, ele e outros três detentos planejaram fugir do campo usando um uniforme falso e uma carruagem. A fuga foi um sucesso e chegaram até a casa de um membro da resistência polonesa.

Porém, Komski viria a passar por muito mais. Ele foi preso em Cracóvia por possuir diversos documentos falsos, mas a inúmera quantidade de identidades permitiu que ele não tivesse seu sangue judeu descoberto. Enviado para a prisão, passou por outros quatro campos de concentração, sendo liberto pelos americanos em Dachau.


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