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11 anos em estado vegetativo: O impactante caso Vincent Lambert

Após um acidente em 2008, o homem não conseguiu se recuperar e seu quadro critico motivou diversas discussões na França

Pamela Malva Publicado em 15/11/2020, às 11h00

Imagem meramente ilustrativa de quarto de hospital
Imagem meramente ilustrativa de quarto de hospital - Divulgação/Pixabay

Entre os muitos assuntos considerados tabus nos dias atuais, a eutanásia é um dos temas que mais divide opiniões. Ilegal na França, o método foi amplamente discutido em meados de 2019, após o emocionante caso de Vincent Lambert.

Trabalhando como enfermeiro psiquiátrico, o francês acompanhava a gravidez de sua esposa quando sofreu um acidente de carro, em 2008. Aos 32 anos, então, ele ficou  tetraplégico e, sem perspectivas de melhora, entrou em estado vegetativo, em 2011.

Daquele ano em diante, a família de Vincent se dividiu em um debate que acabou tomando conta de toda a França. De um lado, as pessoas defendiam que as máquinas fossem desligadas; de outro, um segundo grupo pedia pela continuação do tratamento.

Imagem meramente ilustrativa de profissional cuidando de paciente / Crédito: Divulgação/Pixabay

 

Confusão entre família

O problema realmente começou quando decidiu-se que as máquinas que mantinham Vincent vivo seriam desligadas, em meados de 2013. Indignados, os pais do homem, Viviane e Pierre Lambert, recorreram na justiça para interromper o processo.

Para o casal, seu filho ainda estava vivo e longe de um estado vegetativo. Tendo impedido a desconexão de Vincent pela primeira vez, os pais do homem, descritos como católicos fervorosos, decidiram que lutariam por essa decisão até o fim.

Acontece que, para a esposa e responsável legal pelo paciente, Rachel Lambert, mantê-lo vivo por aparelhos era um absurdo. Ela e outros familiares de Vincent sabiam que ele não aceitaria ficar vivo através das máquinas. Assim, todos defendiam o desligamento.

Guerra judicial

Começou, então, uma longa batalha judicial que inflamou o debate sobre o “deixar morrer” na França. E tudo piorou quando um vídeo que mostrava uma suposta interação entre Vincent e os familiares — que foi desbancada pelos médicos — surgiu, em 2015.

Foram quase 11 anos de discussões e embates judiciais até que os profissionais desligassem todas as máquinas que mantinham Vincent vivo, em julho de 2019. Tudo isso segundo decisão da Corte de Cassação, a maior instituição jurisdicional da França.

Com o desligamento dos aparelhos, a equipe médica administrou uma anestesia constante em Vincent, para que, mesmo em estado vegetativo, ele não sentisse as dores da morte. O que, para muitos, ascendeu mais algumas discussões.

Fotografia de Vincent Lambert / Crédito: Divulgação

 

Entre a lei e a ética

Como a eutanásia é, de fato, proibida na França, a morte através da interrupção dos tratamentos é bastante longa e agressiva — por isso a necessidade de uma anestesia. Sendo assim, muitos criticam tal processo, conhecido como “deixar morrer”.

Nesse momento, logo depois que as máquinas são desativadas, o paciente passa dias e até mesmo semanas prendendo-se aos últimos resquícios de vida que ainda tem no corpo. Foi o que aconteceu com Vincent, até que ele morreu, em 11 de julho de 2019.

Em resposta ao falecimento do filho, os pais do paciente deram início ao último processo judicial. Dessa vez, denunciaram o médico do francês, Vincent Sánchez, e toda a sua equipe por uma “tentativa de homicídio voluntário” em um caso de “crime de Estado”.

Para François Lambert, sobrinho de Vincent, no entanto, a morte do tio foi uma libertação para o mesmo. Logo após o anúncio da morte do homem, o jovem afirmou que toda a família estava preparada “para deixar que ele partisse" em paz.


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