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Que fim levaram as dez tribos perdidas?

Os 12 maiores enigmas da Bíblia, parte 4: Qual foi o destino dos israelitas dominados pelos assírios?

Fabio Marton Publicado em 15/12/2018, às 08h00

Os israelitas
Wikimedia Commons

Em 722 a.C., o Reino de Israel foi conquistado pelo Império Neo-Assírio. O outro reino israelita, Judá, ao sul, tornaria-se um vassalo e sobreviveria.

Segundo a Bíblia, os israelitas descendiam de um só progenitor: Jacó, filho de Isaque, neto de Abraão, que teve 12 filhos. Cada qual dando origem a uma tribo. Ao enfrentar um anjo numa luta (Gênesis 35:10), foi rebatizado como Israel – "o que luta com Deus".

Dez das 12 tribos foram exiladas pelos conquistadores, sobrando apenas as de Benjamin e Judá, no reino do sul – daí esses sobreviventes se tornarem conhecidos por "judeus".

Que fim levaram os outros israelitas? Não faltam candidatos: na Índia, há os judeus de Bene Israel ("filhos de Israel"). Na Etiópia, Beta Israel ("casa de Israel"). Ambos têm o fenótipo de sua região, parecendo-se com indianos e negros.

A historiadora britânica Shalva Weil acredita que sejam descendentes de tribos perdidas, e alguns rabinos tendem a concordar, ligando os etíopes à tribo de Dan. Ambos passaram por testes genéticos que indicaram uma possível ligação com judeus. Mas, em ambos os casos, bem posterior à diáspora, não mais de 1600 anos para os etíopes e 1050 para os indianos. Shalwa também fez muito barulho no começo dos anos 2000 ao afirmar que "os talibãs são judeus". Ela se referia à teoria, que data de escritos islâmicos medievais, de que os afegãos da etnia pashtum – a do Talibã – eram descendentes das tribos perdidas. O DNA também não ajudou: testes os ligaram às populações do resto da região. Isto é, são nativos.

Historicamente, a lista incluiu candidatos bem mais insólitos: quando chegaram à América, os espanhois achavam que os astecas eram descendentes das tribos perdidas. Também houve quem acreditou que os citas, nômades ao estilo mongol que aterrorizavam as estepes entre o Ponto e o Mar Cáspio, seriam judeus. E até alguns historiadores japoneses chegaram a cogitar se alguns dos hábitos nacionais não teriam vindo das tribos perdidas.

A maioria dos historiadores acredita que as tribos simplesmente perderam a identidade, e que muitos se refugiaram em Judá. Jerusalém parece ter crescido cinco vezes de tamanho logo após a conquista. O historiador britânico Tudor Parfit, da Universidade de Londres, que estudou por décadas povos que clamaram ser descendentes das tribos perdidas, diz que, sobre a sobrevivência, "é tudo, de fato, um mito".